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terça-feira, 29 de julho de 2014

O Grande Gatsby - Livro e Filme




O Grande Gatsby

(atenção: este post contém revelações sobre o enredo integral do livro e filme O Grande Gatsby - spoiler!)


Assisti na TV ao filme O Grande Gatsby, versão de 2013, com Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire e Carey Mulligan. Achei a obra supimpa! Tive também a surpresa, e em seguida a vergonha, de constatar que já não me lembrava da essência da estória, que é maravilhosa.
Li o livro quando era adolescente, e só me recordava que ele tratava da disputa de dois ricaços pela mesma mulher. Também me lembrava das festas monumentais dadas por um deles, que vinha a ser justamente o Gatsby do título. Oh, como pude me esquecer de todos os ricos e significativos detalhes desta estória? Ainda bem que assisti ao filme, pois isso me levou a desejar reler o livro, coisa que farei o quanto antes. No romance, F. Scott Fitzgerald faz uma tremenda crítica ao  - segundo o ponto de vista dele - tolo sonho americano de busca de riqueza. Para ele, esta busca é muitas vezes embasada em motivos fúteis, o que a torna indigna e potencialmente destrutiva. E ele insinua  isso neste livro, publicado na década de 20, do século passado.


Gatsby é um homem muito rico, que todos os sábados dá festas magníficas, em sua luxuosa mansão. As festas atraem centenas de pessoas, entre as quais os mais ricos e famosos nova-iorquinos. Ele acabou de se mudar para a tal mansão, que fica em Long Island, a ilha comprida, situada a leste de Manhattan. Mas quase ninguém sabe realmente quem é ele é, e a maioria das pessoas sequer já o viu.
Então, um jovem aspirante a escritor, que, aliás, é o narrador da estória, muda-se para uma casa simples, mas que fica em frente à mansão de Gatsby. Ele logo recebe convite para uma festa do milionário, a qual comparece, ardendo de curiosidade de conhecer um pouco melhor o vizinho ‘excêntrico’. Lá ele toma conhecimento dos vários boatos existentes sobre a origem da riqueza de Gatsby. Muitos suspeitam (com alguma razão) que ela proveio principalmente do contrabando de bebidas, que se tornara um ótimo negócio, naqueles tempos de Lei Seca. O escritor passa a frequentar o círculo do milionário e assim descobre que ele – coincidentemente - tem uma paixão por Dayse Buchanan, que vem a ser uma sua prima (do escritor). Dayse é uma socialite, casada com um atleta rico, chamado Tom Buchanan. 


A certa altura, Gatsby, com quem o escritor vai estreitando as relações, pede a este que convide Dayse para um chá em sua casa, para que ele possa aparecer ‘casualmente’ e avistar-se com ela. O escritor não acha a proposta muito correta, mas talvez por saber que Tom Buchanan, o marido de Dayse, é um ricaço arrogante e adúltero, e por já ter percebido que Gatsby é um cavalheiro, que conheceu e amou Dayse antes de ela casar-se com Buchanan, acaba por concordar em ajudar o novo amigo. Que mal pode haver em que os dois ex noivos conversem? O escritor já sabe também que Gatsby respeita e idealiza Dayse, vendo-a como a personificação de um sonho e o ideal feminino de beleza e charme. Uma frase de Gatsby resume a impressão dele sobre Dayse: Ela torna tudo encantador!
Na ocasião do pedido de Gatsby, o escritor também tinha, bem nítida na mente, a recordação da orgia, à qual fora arrastado por Tom Buchanan. A esbórnia acontecera pouco tempo antes, e uma das mulheres presentes à farra era Myrtle Wilson, amante de Tom Buchanan. Myrtle era a esposa de um dono de garagem e mecânico, que fazia pequenos serviços automotivos para Buchanan. Na mesma “festa”, Buchanan, depois de uma noite de descomedimentos, agride Myrtle, jogando-a ao chão.


Depois do encontro de Gatsby com Dayse, o affair entre eles recomeça, e Gatsby pensa em casar-se com ela. Ele tentara fazer isso anteriormente, confiando que receberia uma herança de um milionário a quem salvara, mas uns contratempos jurídicos, criados pelos herdeiros legais do homem, adiaram seus planos e meio que o lançaram nos negócios obscuros. Então ele caíra no mundo, a fim de enriquecer, para poder finalmente desposar a sofisticada Dayse. Mas no meio tempo ela se casara com Tom Buchanan.
Os encontros entre Gatsby e Dayse continuaram ocorrendo e ela chega a propor que os dois fujam. Mas Gatsby rejeita a proposta, pois quer ter com ela uma relação sempre respeitável. Ele a ama de fato.  Então, de repente, Buchanan percebe que corre o risco de perder a mulher para Gatsby! A coisa fica feia entre os dois homens, e ambos quase que chegam às vias de fato. Na ocasião, o casal Buchanan estava em companhia do escritor e de uma das damas, que frequentavam as festas de Gatsby. Gatsby pede a Dayse que diga a Buchanan que nunca o amou, e ela, talvez por medo do marido, fica um pouco hesitante, dizendo que já não o ama, mas que um dia o amou. A situação fica muito tensa e então todos partem com destino a Nova York. Dayse sai em companhia de Gatsby, no carro deste, e, pouco depois, o escritor e a dama saem juntamente com Buchanan. 



Logo depois da partida, Gatsby entrega o volante do carro à Dayse, que pede para dirigir, alegando que isso a acalma. Mas ela está muito alterada e sai em disparada. Enquanto isso, o mecânico está tendo uma briga daquelas com a esposa, Myrtle. O homem vinha suspeitando que a mulher o traia e perdera a cabeça. Myrtle sai de casa perturbada, e ao avistar o automóvel de Gatsby, que Tom Buchanan estivera dirigindo horas antes, supõe que o amante esteja no carro e se joga na frente dele. Dayse não percebe a tempo o que ocorre e atropela e mata a mulher, fugindo em seguida, aterrorizada.
Pouco depois, Buchanan e seus dois passageiros chegam ao local do acidente. Encontram-no em alvoroço, com policiais presentes e o mecânico transtornado. O mecânico, que vira Buchanan dirigindo antes o automóvel que matou sua esposa, volta-se contra Buchanan, acusando-o de ser também o homem com quem a mulher estivera se encontrando. Buchanan então diz que o carro é de Gatsby e que ele deve ter matado Myrtle, para livrar-se dela. Desse modo Buchanan acusa Gatsby de dois delitos: ter sido o amante de Myrtle e também o assassino dela.


 Gatsby, que havia levado Dayse para a casa dela, recebe a visita do escritor e diz a este que espera um telefonema de Dayse, para que os dois acertem todas as questões existentes. Gatsby já havia assumido a responsabilidade pelo atropelamento da mulher do mecânico, e acreditava que conseguiria resolver tudo, porque vira a tal jogando-se na frente do automóvel. Mas o escritor havia passado antes na casa dos Buchanan e vira o casal arrumar as malas e partir, perfeitamente de acordo, um com o outro. Nesse meio tempo, o mecânico, perturbadíssimo, devido à morte da mulher, e muito revoltado com o assassino, penetra na mansão de Gatsby – armado – e atira nele, matando-o.
Depois de tudo, no funeral de Gatsby, ao qual não comparece ninguém, porque a mídia acusa o milionário falecido de todos os crimes possíveis, o escritor diz o seguinte, sobre o casal Buchanan:
Eles quebravam e esmagavam coisas e criaturas e, então, se entrincheiravam atrás de seu dinheiro.
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O livro de F. Scott Fitzgerald é uma verdadeira obra de arte. Ele é muito bem escrito e nos apresenta uma estória que propicia muitas reflexões sérias. Só tardiamente são feitas as revelações sobre o verdadeiro caráter, as origens e as razões de Jay Gatsby. Quando tomamos conhecimentos dessas informações, as impressões que até então tínhamos do personagem caem por terra. Vemos então que Jay Gatsby é moralmente superior às pessoas que o cercam, pois é movido por um profundo amor por Dayse. Vemos também que Dayse é uma mulher fútil e egoísta, enquanto que o marido dela é sobretudo cruel. No entanto, quem é punido pelas circunstâncias e pelo julgamento injusto dos fatos é justamente Gatsby.




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