Olá gente, tive a intenção de trazer, novamente, hoje, a receita de uma massa de bolo de festa. Porém, ocorreu-me, que isto podia vir a concretizar a idéia de muitos, de que este é um blog sobre bolos. Por isso mesmo, resolvi adiar um pouco o tal post, já que este blog trata de culinária, gastronomia e entretenimento, e não apenas de bolos, rsrs. Então, estou trazendo mais uma receita de vegetal, esta abóbora caramelizada de forno, que é a minha forma preferida de preparar abóbora. Esta receita não tem segredos, por isso vou dar só um esquema de como eu a faço:
Pegue a quantidade de abóbora que quer preparar, lave-a e enxugue, e corte a abóbora em fatias. Tire as sementes das fatias (tire a casca se desejar; eu tiro). Distribua as fatias numa assadeira untada levemente com azeite de oliva. E verta um pouco do azeite sobre as fatias. Salpique sal marinho, a gosto, sobre a abóbora. E, finalmente, espalhe uma e meia colheres de sopa de açúcar mascavo (ou mel, neste caso, use só uma colher) sobre as fatias. Leve a assadeira ao forno médio (180ºC), até que abóbora fique 'al dente'.
atualização (porque perguntaram-me): uso abóbora cabotiá (cabotchan)
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Mas, não percam os próximos posts, pois em breve publicarei a receita do bolo amanteigado e esponjoso, com que se faz o victoria sandwich cake, que eu usei para fazer estes mini bolos de casamento:
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Dom Casmurro e a traição de Capitu
Você, que me lê, qual é a sua
tese, Capitu, a personagem do livro Dom Casmurro (e também a
principal personagem feminina da literatura brasileira), traiu ou não traiu o
marido, Bentinho?
Eu vou na contramão do
estabelecido, dos que ficam na dúvida, para mim ela traiu sim!
Peça que qualquer pessoa
medianamente inteligente, que desconheça a controvérsia gerada pela estória,
leia este livro. E depois pergunte a ela do que ele trata. Aposto que ela dirá
que a estória gira em torno dos ciúmes e dos acontecimentos decorrentes da constatação de
Bentinho (eu disse ‘constatação’ e não ‘desconfiança’) de que Ezequiel, “seu”
filho com Capitu, na verdade era filho de Escobar, o amigo que ele conheceu no
seminário.
O resumo do livro é o seguinte:
Capitu, moça pobre, inteligente e ... vamos lá, manipuladora, casa-se com o
vizinho mais abastado e ingênuo, o tal Bentinho. Os dois se conhecem na infância
e, já na meninice, ela demonstra o seu alto grau de sagacidade (sagacidade: agudeza de espírito
ou facilidade de compreensão; capacidade de ser ardilosa ou manhosa). Por ser
tão sagaz, Capitu consegue também dissimular perfeitamente os próprios
sentimentos, e sair serenamente de qualquer situação constrangedora.
Depois de manobrar perfeitamente a situação entre
ela e o garoto, e também entre ela e a família dele, que esperava que o rapaz
se fizesse padre, para cumprir uma promessa feita pela mãe dele, Capitu
consegue que o casamento dos dois se realize. Até chegar a tanto, ela passa
anos conduzindo a situação para isso. E de um modo tão calculado, que ninguém
sequer percebeu o que estava acontecendo.
Uma vez casada, ela demora muito a engravidar,
coisa que pode até levar a gente a imaginar – depois de tudo - que Bentinho
talvez fosse infértil. Enquanto Capitu e Bentinho tentam, em vão, trazer ao
mundo o filho deles, Escobar, o amigo de Bentinho, que acabou por casar-se com
uma amiga de Capitu (Sancha), logo tem uma filha, que é batizada com o nome de ‘Capitu’
(Capitolina, na verdade), em homenagem à amizade que une os dois casais.
Então, de repente, Capitu também engravida. O filho
dela recebe o nome de Ezequiel (primeiro nome de Escobar, em retribuição à
homenagem anteriormente feita à mãe do menino). A criança nasce, e faz a alegria
de Bentinho e Capitu. Pouco tempo depois, Escobar morre, num acidente no
mar. No velório dele, Capitu é flagrada, pelo marido, olhando o defunto de
forma apaixonada. Este não é o único acontecimento comprometedor havido entre o
morto e Capitu, tomamos conhecimento de vários, ao longo da estória.
O tempo passa, Ezequiel vai crescendo e, segundo as
próprias palavras de Bentinho, é como se Escobar ressurgisse do túmulo, tal a
semelhança física entre a criança e o falecido. Aquilo vai envenenando o espírito de Bentinho,
pois ele vai reconhecendo o amigo morto, em tudo que diz respeito à aparência e modos do menino. Bentinho
começa a ter ojeriza pela pobre criança, a tal ponto, que pensa em cometer o
suicídio. Mas pensa também em matar o menino, a quem chega a dizer que não é o
pai.
Por fim, depois de alguns anos nesse terror, ele
compra casa na Europa e instala nela Capitu e o filho, pois não suportava mais
conviver com os dois (e, nesta época, os casais “de bem” não “divorciavam-se”). Ele volta para
o Rio de Janeiro e vai tornando-se cada vez mais isolado e sem alegria (casmurro).
Passam-se os anos, sem que Bentinho visite a família, na Europa, sequer uma
vez. Capitu acaba morrendo por lá e Ezequiel vem visitar o “pai”, na esperança
de reatar as relações com o mesmo. Mas, de novo, é rejeitado. O rapaz parte,
então, lá para bandas do Oriente, a fim de fazer uns estudos arqueológicos. E
logo morre também por lá, vítima do Tifo. Ponto final.
Mas, se a estória foi entendida, durante anos, como
uma tragédia, que decorre de adultério, por que agora existe esta dúvida?
Simplesmente porque os estrangeiros, a começar pela professora norte-americana,
Helen
Caldwell, que foi a primeira a inverter a leitura do romance, nos anos 50, e
também outros, como o professor britânico, John Gledson (mais recentemente), o
entenderam como uma estória de ciúmes e de dúvida. E de ciúmes tão terríveis,
que causaram os desvarios de Bentinho, e todas as consequências conhecidas.
Para eles, bem como para um monte de outras pessoas, incluindo aí os
elaboradores das provas dos vestibulares, Capitu não traiu Bentinho, este é que
era doido.
Claro que eles não tiraram
isso do nada, o romance é realmente cheio de passagens que podem induzir o
leitor ao equívoco. Uma delas é a citação do verso do livro de Eclesiástico:
“Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não
se meta a enganar-te, com a malícia que aprender de ti." – Eclesiástico
9:1
Eu li o Dom Casmurro duas
vezes e, em outubro do ano passado, li este Quem é Capitu (de Alberto
Schprejer), que é uma coletânea de textos de intelectuais de várias
profissões, sobre a personagem. A maioria deles acha que Capitu não traiu
Bentinho.
Eu continuo achando que traiu.
Se você ainda não leu o livro, leia-o também e depois me diga qual é a sua
opinião!