Olá! O dia de São Valentim (Valentine's Day) é uma ótima desculpa para a gente fazer artesanatos fofos e comidas especiais, né? rsrs. Resolvi me aproveitar dela para fazer estes bolinhos. Na receita original eles eram chamados de "Cookies", embora fossem mesmo bolos, e eu abri mão dela porque não queria bolinhos com manteiga de amendoim na massa, já que ela aparece também nos bombons do recheio.
Aproveitei então só a idéia da receita original. E a idéia era meter um bombom no topo do bolo, ainda quente, para poder saborear o chocolate molinho, mas não totalmente cremoso nem desfeito. O bombom usado nos bolinhos da primeira foto foi o Reese's, o indicado na receita, que é manteiga de amendoim coberta por uma casquinha de chocolate ao leite (tem deles à venda no Carrefour). Mas eu resolvi também inovar e rechear outros bolinhos com o bombom Alpino. A receita que usei para a massa foi a do bolo Nega Maluca (mas eu poderia ter escolhido outra, claro). E a única coisa que fiz foi tirar uma tampinha do bolo ainda quente e introduzir um bombom no furinho. Nos bolinhos da primeira foto eu resolvi fazer uma rápida cobertura de chocolate, porque o bombom Reese's derreteu demais, e estava deixando o bolinho feio (talvez eu devesse ter esperado que os bolinhos esfriassem pelo menos por uns cinco minutos, rsrs).
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Leviatã
O
Leviatã bíblico
(imagem encontrada na Internet)
O meu interesse pelo leviatã
começou quando li o livro de Jó (há muitos anos). Nele há um
diálogo entre Jó e Deus, em que Este pergunta: “Podes tu com um anzol apanhar o
leviatã? ...”. Na época eu não sabia o que era leviatã, então fui pesquisar a
palavra. Descobri que o leviatã bíblico seria talvez como a baleia, um animal
muito grande, de água, que por causa do seu tamanho não podia ser apanhado com um
anzol. Outras interpretações dizem que o leviatã teria sido um monstro aquático.
Na idade média a palavra passou a significar também o demônio representante
do 5º pecado, a inveja, que seria um dos príncipes do inferno.
O Leviatã de Hobbes
Anos depois, na época da faculdade,
eu li o Leviatã de Thomas Hobbes, livro escrito no século XVII, que diz que os
homens, para não saírem matando-se uns aos outros, e poderem viver em paz, têm
de concordar em se submeterem a um poder absoluto e centralizado (o poder do
Estado).
O Leviatã de Andrey Zvyagintsev
(imagem encontrada na Internet)
Filme Leviatã (de 2014), do russo Andrey Zvyagintsev
Assisti ao Leviatã de Andrey
Zvyagintsev e o achei uma obra formidável. O filme conta a estória de um mecânico,
chamado Kolya (Aleksey
Serebryakov), cuja propriedade está sendo confiscada pelo prefeito da
cidade. Kolya mora há muitos anos numa casa - construída por ele mesmo – na costa
do mar de Barents, no noroeste da Rússia. A oficina de Kolya fica ao lado da
casa, e os antepassados do mecânico moraram no mesmo lugar. O prefeito, porém,
decidiu que a propriedade tinha de passar à prefeitura. E por um preço muito
menor do que o de mercado.
O mecânico então busca a ajuda de
um amigo, advogado, a fim de reverter a decisão do prefeito. Este não é o único
problema de Kolya, a estória vai desenrolando-se e outros dramas vão surgindo. Contudo, um dos grandes tormentos do mecânico, que é, inclusive, o assunto principal do filme, é a cadeia de corrupção que assola o
lugar. O ato de abuso mais “inofensivo” é o cometido por um policial de
trânsito, que “pede” a Kolya o "favor" de fazer um serviço no carro de um amigo dele. Atrelada
à corrupção – como sempre acontece - está a burocracia infernal.
A Igreja também é mostrada de
forma ambígua e – vamos combinar – conivente com os desmandos e injustiças existentes. A
pregação final do padre, hipócrita e irônica, é um ultraje ao verdadeiro espírito do cristianismo.
O filme é impactante e sombrio. A correlação da estória de Kolya com a de Jó
está no crescendo de sofrimentos que recaem sobre o pobre mecânico. E o poder
do Estado (referência a Hobbes) é ilimitado e implacável.













