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domingo, 12 de julho de 2015

A sala íntima, Florbela sob novo olhar e Minas de Mim

                                a sala está ainda bem diferente da que tenho em mente


Olá, gente! Demorei um pouco para retornar por aqui, por causa das muitas exigências da vida real. Neste meio tempo aconteceram tantas coisas, que eu fiquei indecisa quanto à escolha dos assuntos a serem abordados neste post, rsrs. Queria falar dos dois ótimos livros que ganhei de minha amiga (e autora dos livros!) Jussara Neves Rezende, o que faço abaixo. Contudo, tinha também várias fotos de comida, mas acabei decidindo-me por mostrar as mudanças que comecei a fazer hoje em nossa sala íntima (a que fica no andar superior da casa). Foi com relutância que decidi mostrar esta sala, e só faço isso agora por ser um tanto contrária ao costume adotado por muitos blogs de decoração, de quase que só mostrar coisas de outras pessoas, geralmente estrangeiras, rsrs.  


                                   o fundo da sala ainda está um tanto bagunçado

Este é o cenário visto, quando se chega ao topo da escada que leva aos quartos de dormir, daqui de casa.  A sala íntima (que alguns agora estão chamando de "sala da família") tem sido negligenciada, desde que nos mudamos, por isso está tão feinha, rsrs. Então, ontem, chegaram estas cadeiras francesas (refiro-me ao estilo, Luís XV), que estavam sendo reformadas. Comecei a montar um novo ambiente neste espaço. Aquela estante abriga os meus livros de culinária (e materiais sobre o assunto), porém, tenciono clareá-la - ou substituí-la - como também o outro móvel.  
Quero fazer outras mudanças nesta sala, pois nem sequer transferi ainda para  ela algumas peças compradas para este fim. A minha meta é fazer desta sala um canto agradável de se estar e se olhar.


********************************************************************


Florbela sob novo olhar e Minas de Mim


A minha querida amiga Jusssara Neves Rezende enviou-me, há alguns dias, os dois livros abaixo, de autoria dela. 




Li e gostei dos dois! Há muito aboli o hábito de ler antecipadamente as orelhas dos livros, para não ser influenciada pelo que se diz nelas sobre a obra ou o autor. Indo direto à leitura dos poemas, do Minas de Mim, achei neles alguma semelhança com coisas de Adélia Prado, embora ditas de um jeito totalmente distinto e pessoal. Percebi, no ato, que a semelhança é, provavelmente, resultante da mineirice de ambas as escritoras, pois é assim que nós mineiros sentimos e falamos, rsrs. Foi com surpresa, portanto, que depois tomei conhecimento de que Marcelo Franz, da PUC PR teve a mesma impressão, rsrs. 

Tenho certeza de que haverei de reler os poemas deste livro, outras vezes, pois muitos deles como que me traduzem, como é o caso, deste, abaixo:

Plena

Quero ser em plenitude.
Então tento juntar aos que sou
perdidos pedaços de mim...
Mas não me cabem mais!
Tampouco se encaixam ao que sou
prováveis (?) formas do que serei.

A forma plena de mim
está, então, neste intervalo,
entre o que fui e o que serei?
De mim os fragmentos dispersos
não significam? Só se é plena 
enquanto se é?

(Jussara Neves Rezende)



******************************


O Florbela sob novo olhar mudou realmente o meu modo de ver esta poeta*, que antes eu julgava apenas um tanto trágica. Jussara Neves Rezende esmiuçou a obra de Florbela e trouxe à luz nuances desconhecidas da complexa personalidade da escritora.  Eu não suspeitava que Flobela Espanca tivesse eleito, deliberadamente, papéis e máscaras, para expressar os muitos sentimentos e as diversas personas que abrigava dentro de si. Não a percebia tão calculista nem tão exibicionista, porque, para ser totalmente sincera, não atentei tanto assim na obra desta escritora. 
Contudo, já agora a minha impressão sobre Florbela Espanca é mais respeitosa e fundamentada. Vejo-a, ainda, como uma mulher sofrida. Mas, vejo-a também como uma pessoa a quem a vida infligiu duras provas e, sobretudo, como uma mulher talentosa e de vanguarda que, com certeza, viu-se oprimida e em permanente conflito com as convenções sociais do seu tempo, que acabaram por fazê-la sucumbir. 

* chamo Florbela Espanca de poeta, porque, como é registrado no livro de JNR, ela já havia conquistado este status em 1931, através de um artigo publicado por Antonio Ferro, em que ele a chama de poetisa-poeta. 


Obrigada pelos livros Jussara!




21 comentários:

Pedrita disse...

muito aconchegante. aí é grande. aqui é bem mais intimista e tb fiz algumas mudanças. adorei a estante de livros. eu estou curtindo duas novas não novas estantes de livros que chegaram por aqui. eu tb não leio orelhas, resumos. só fiz isso recentemente e contaram o final do livro. deprimente. mas depois de terminar de ler aí eu leio tudo. adoro florbela. beijos, pedrita

Danni e Lype disse...

Oi querida,
Passei por aqui para te desejar uma ótima semana e tudo de bom.
Adorei as suas cadeiras!!! São charmosas e ficaram LINDAS!!!
Estou curiosa em relação ao que você tem em mente para esta sala aconchegante... Vou acompanhar (risos)...
Grande beijo, Irene

✿ chica disse...

Marly, que bom te ver e adorei tua casa ,bem arrumadinha! A Jussara escreve muito bem e gosto de ler sempre seus trabalhos! bjs, às duas! chica

Lúcia Soares disse...

Marly, que post bom. Gostei do seu cantinho, as cadeiras são lindas e tenho certeza de que vc fará tudo ficar perfeito, quanto à estante e ao outro móvel.
Sobre Florbela, tenho a mesma impressão que tinha, dela ser trágica. Não conheço a obra dela, senão poemas lidos aqui e ali. Interessante os dois livros.
Sobre "mineiridades', postei hj o vídeo da Adélia Prado no Roda Viva, de março 2014, onde alguém escreveu para lá, no meio da entrevista dizendo que ela escrevia muito como Guimarães Rosa e ela falou exatamente isso, talvez o jeito seja por serem ambos mineiros.
Vou procurar esses livros e lê-los.
Beijo e boa semana.

Paula Louceiro disse...

Marly, o cantinho está ficando lindo. Que delicia sua casa, espaçosa e com cantinhos super agradáveis.
Beijos

Liliane de Paula disse...

Suas cadeiras são lindas mas diferentes de meu estilo de vida.
Gostei mais de ler biografia da Flobela Espanca que suas poesias.
Nunca mais li postagens da Jussara.

Patricia Merella disse...

Olá Marly
Você tem um otimo espaço.
Clarear estas estantes em branco ficará lindas e leve!
Amei as cadeiras,uma linda semana,beijinhos

Arione Torres disse...

Oi querida Marly, ótimo post!
Tenha uma ótima semana, beijos e fique com Deus!!

Lu disse...

cantinho deliciiiia para um chazinho.
adorei
Bjo
boracozinhar-lu.blogspot.com

Lylia Diógenes disse...

Oi Marly,
Linda e aconchegante sua sala! Parabéns ! E os livros parecem ser muito bons.
Bj e boa semana,
Lylia

Cleide Celeste disse...

Oi Marla, ficou linda, muito agradável, apesar de gostar dos livros que ficam na sala de baixo risos.........Eu amo Florbela, acho que ninguem consegui definir o amor assim:Fanatismo

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."


(Livro de Soror Saudade, 1923)
Florbela Espanca
Repara que maravilha:

"Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!"



E essa parte da moça triste do conunto aiaiaiaia

Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...
Florbela Espanca


Eis me: risos
O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!
Florbela Espanca

Demaisssssssssss heinnnnnnnnnnnnnnnn ? , eu quero ver o livro da Jussara!

Cleide Celeste disse...

Oi Marla, ficou linda, muito agradável, apesar de gostar dos livros que ficam na sala de baixo risos.........Eu amo Florbela, acho que ninguem consegui definir o amor assim:Fanatismo

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."


(Livro de Soror Saudade, 1923)
Florbela Espanca
Repara que maravilha:

"Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!"



E essa parte da moça triste do conunto aiaiaiaia

Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...
Florbela Espanca


Eis me: risos
O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!
Florbela Espanca

Demaisssssssssss heinnnnnnnnnnnnnnnn ? , eu quero ver o livro da Jussara!

Andrea Bitencourt disse...

Olá Marly!!
Ambientes assim aconchegantes que dão vida a uma casa!
As cores que você utilizou dão a sensação de paz!!
Beijos e linda semana pra ti! =)

Marly disse...

Cleidinha,


Eu me lembrava de que você gostava da Florbela Espanca, só não que era tanto, rsrs. Tenho uns quatro livros dela (dois repetidos, Os Sonetos). Ela realmente disse coisas que nos tocam, não é verdade? rsrs. Depois da leitura do livro de minha amiga Jussara eu passei a ver Florbela Espanca de um jeito mais íntimo, por isso acredito que o poema abaixo, encontrado (segundo a JNR) no espólio de Fernando Pessoa seja mesmo de autoria deste escritor:

Dorme, dorme, alma sonhadora,
Irmã gêmea da minha!
Tua alma, assim como a minha,
Rasgando as nuvens pairava
Por cima dos astros,
À procura de mundos novos,
Mais belos, mais perfeitos, mais felizes.

Criatura estranha, espírito irrequieto,
Cheio de ansiedade,
Assim como eu criavas mundos novos,
Lindos como os teus sonhos,
E vivias neles, vivias sonhando como eu.
Dorme, dorme, alma sonhadora,
Irmã gêmea da minha!
Já que em vida não tinhas descanso,
Se existe a paz na sepultura:
A paz seja contigo!


Beijão, e obrigada por aparecer por aqui, mana!


Cleide Celeste disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Arione Torres disse...

Oi querida amiga Marly, vim lhe desejar uma ótima semana, beijos e fique com Deus!!

Renata disse...

Oi Marly! Que recanto gostoso para reunir a família! Não tem preço!!! Otimas dicas dos livros!
Bjsss

Renata disse...

Ah... Esqueci de dizer..... Adorei o novo visual do seu blog!!! parabéns!

Sadhia Hage disse...

amo este livro é fantastico mesmo parabens pela bela casa amei tudo e sua estante é linda amo estantes assim cheias de sabedria bjokas doces

Lili disse...

ficaram bonitas as cadeiras.... só acho q não deve ficar tudo branco demais pra não ficar sem graça!

Jussara Neves Rezende disse...

Olá, Marly,
só hoje - depois de duas eternidades - voltei a abrir meu blog e, entre inúmeros comentários à espera de publicação, encontrei o seu dizendo que comentara meus livros. Claro que vim correndo!
Obrigada pela leitura atenta e pelos comentários tecidos. Amei tudo!
Para chegar até seu post passei por inúmeras imagens convidativas... é claro que senti saudades nesse tempo de ausência... e vou ter que voltar aos posts para, aos poucos, ir descobrindo tudo.
Gostei também de conhecer sua sala íntima e de saber que, como eu, você está numa fase de ir clareando tudo... rs. Já fui muito barroca, minha amiga. Agora estou quase grega, de tão sem grana e clássica, ;)
Estou voltanto... obrigada!
Abração!

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