quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Drink com morangos, para receber a Primavera!

Olá, queridos e queridas!

Como vocês, eu tenho tido muita consciência das vibes opressivas que nos têm envolvido. Chego a acreditar que estamos em meio a uma guerra, bombardeados por todos os lados por más notícias e fatos surreais.

Porém, no que diz respeito a mim, não quero ficar mais só me espantando ou me indignando com os 'pertardos' que têm sido lançados sobre nós. E foi por isso (e também - sendo 100% sincera - para aproveitar uns morangos que estavam 'implorando' para serem usados, rsrs) que resolvi fazer estes drinks, para receber a Primavera. 

Acho que o fato de a gente continuar aferrada aos eventos maiores e imutáveis, como a mudança das estações, nos ajuda a manter a sanidade e o bem estar. 

A receita dos drinks não tem segredos e eu até já publiquei aqui mais de uma variação da mesma. 

Nesses dias de calor infernal, uma bebidinha gelada sempre cai bem, né? Para fazer estas eu simplesmente congelei 200 gramas de morangos frescos e limpos (1 caxinha) e depois os bati, no liquidificador, com um pouquinho de água e açúcar). Por fim, coloquei umas colheradas do 'creme' obtido sobre o vinho branco (e também) do rosé, que já estavam nas taças. 

Drinks com morangos - (serve 5 pessoas)

(xícara = 240 ml)

Ingredientes

1 garrafa (750 ml) de vinho gelada (usei 1/2 garrafa do branco e 1/2 garrafa do rosé)

1 caixa de morangos (200 gramas) já higienizados e congelados

1/2  xícara de água

1/4 de xícara de açúcar (opcional)

Preparo

Bata os morangos no liquidificador com a água e o açúcar. Ponha o vinho nas taças e sobre ele despeje umas colheradas do morango batido. 


Bem vinda, Primavera!


♫ Desperta no bosque, gentil Primavera, com ela chegou o canto... (quem lembra?)

e na Primavera a gente está autorizada a renovar as esperanças, a acreditar que tudo haverá de florescer novamente!

                      Por todo canto a natureza gloriosamente brota e se mostra!
num festival de cores e formas!





É isso aí... até já!


segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Bolachas de manteiga e o livro O ano do pensamento mágico


      e, abaixo, a mesma receita feita em outra ocasião 

Olá, queridos e queridas! Espero que todos estejam bem! Apesar de ter me demorado um pouco mais para voltar por cá, não deixei de cozinhar muito, como sempre. Os preparados das fotos da colagem abaixo são três dos que foram feitos nesses últimos dias. Porém, no momento em que redigia este post acabei optando por essas bolachas, que são simples e boas.

Bolachas de manteiga Simples

Ingredientes

· 3 xícaras de farinha de trigo
· 1 xícara de manteiga
· 2 colheres de chá de fermento em pó para bolo
· 1 xícara de açúcar (o açúcar refinado deixa as bolachas mais delicadas)
· 1 ovo
· 1 colher (de chá) de essência de baunilha ou amêndoas (ou outra, a gosto)
· leite ou água (se necessários) até que a massa fique maleável e possa ser aberta e cortada 
(se precisar usar o leite ou a água, acrescente 1 colher de chá de cada vez).

Preparo

1 - Ligue o forno em temperatura média – 180ºC
2 - Bata a manteiga com o açúcar, na batedeira, em velocidade média, até que fiquem bem misturados e a mistura resulte clara e fofa (2 minutos). Se precisar, desligue a batedeira e empurre para baixo, com uma espátula, a mistura que estiver espalhada pela tigela sem ser batida.
3 - Acrescente o ovo e a essência e bata mais um pouco (uns 20 segundos). Desligue a batedeira e peneire a farinha com o fermento sobre a mistura de manteiga. Combine tudo com uma espátula. Se achar que a massa ficou um pouco seca, adicione água ou leite, mas faça isso muito aos poucos, usando uma colher de chá por vez.
4 - Estenda a massa – com um rolo de massa - entre dois pedaços de plástico ou papel manteiga.Faça com que a massa fique na espessura de meio centímetro (mais ou menos).
5- Retire o plástico de cima e corte a massa do modo que preferir (usei cortadores em forma de coração e borboleta). Espalhe as bolachas cortadas na assadeira preparada e leve a assadeira ao forno já aquecido – por uns oito minutos. As bolachas estarão assadas quando estiverem ligeiramente crescidas, exalando cheiro de massa assada e sem brilho (não deixe que assem demais para que não endureçam depois de frias). E espere uns minutos antes de tirar as bolachas da assadeira.

                                                             💓💓💓

O último livro lido:
O ano do pensamento mágico, de Joan Didion
(atenção, o texto abaixo contém revelações sobre o enredo dos dois livros da foto)


A morte e o tempo são temas que sempre me fascinaram. Vejo o tempo como um soberano rigoroso que organiza os acontecimentos e vai dando significados aos eventos. 
Quanto à morte, bem cedo nós percebemos que somos mortais. Isso quer dizer que compreendemos que o nosso destino final é a morte. No entanto, essa consciência e compreensão de modo nenhum nos preparam para a aceitação da nossa morte e muito menos para a aceitação da morte das pessoas que amamos. A morte dos que amamos, aliás, nos dói mais do que a nossa própria (já que, quando morremos não temos consciência do fato). 
Nos dois livros acima, O ano do pensamento mágico e Noites azuis, a escritora Joan Didion fala sobre a morte das duas pessoas mais importantes da vida dela - o marido e a filha - que ocorreram com poucos meses entre elas.
O primeiro a morrer foi o marido, que teve um infarto fulminante no dia 30 de dezembro de 2003. Horas antes do infarto, o casal havia estado com a filha deles, que se encontrava sedada e entubada na UTI de um hospital. A moça - recém casada - havia sido internada sob o diagnóstico de gripe forte. A gripe se transformara numa pneumonia e esta em infecção generalizada (septicemia, que é quando o corpo inteiro fica infeccionado), que acabou sendo a causa da sedação e entubação dela. 
Joan e o marido estavam bastante tocados com os acontecimentos que sobrevieram à filha deles, de forma tão inexplicável e repentina. Mas eles também estavam esperançosos. Daí que o marido morre, repentinamente.
A moça sobreviveu ao pai, chegou a sair do hospital para ir ao funeral dele. Mas teve pioras no estado de saúde, passou por várias cirurgias e morreu no dia 26 de agosto de 2005. 
A escritora repete várias vezes a frase que todos conhecemos:  "A vida muda num instante. Você se senta para jantar, e aquela vida que você conhecia acaba de repente". 

💗💗💗

É só para o momento, mas quero voltar a estar por aqui mais frequentemente!


segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Bolo de Café e o livro Indignação, de Philip Roth


Olá, leitores queridos, espero que todos estejam bem! 
Eu estava à procura de receita de um bolo que fosse gostoso e não levasse muita gordura. Acabei por optar por esta, mas a receita original deixava a desejar, quanto ao sabor do café, que ficava imperceptível. Então eu alterei alguns dos ingredientes (e é por isso que não vou citar a fonte da receita)

 Bolo de Café

 Ingredientes

3 ovos inteiros
220g de açúcar
220g de farinha
50g de fécula de batata (substituí por amido de milho)
10g de cacau em pó
110ml de óleo de cozinha
120ml de água fervente
3 colheres de sopa de café instantâneo granulado
1 colher de sopa rasa de fermento em pó para bolos
½ colher de chá de extrato de baunilha

1 pitada de sal 

Preparo

Unte uma forma, de furo no meio, de 24 centímetros, com spray desmoldante ou com manteiga e farinha. Reserve a forma. Prepare o café juntando a água fervente com o café instantâneo e dissolvendo-o bem. Ponha-o de lado. Numa tigela, peneire a farinha, a fécula, o sal, o cacau e o fermento. Ponha esta tigela de lado também. Na batedeira, bata os ovos inteiros com o açúcar e a baunilha, por 10 minutos. Junte o óleo e o café preparado, batendo por mais 2-3 minutos. Fora da batedeira, verta o batido sobre a mistura de ‘farinhas’ e combine tudo, com um fouet. Despeje a massa na forma preparada e leve-a ao forno, a 180ºC, por cerca de 40 minutos (faça o teste do palito). Depois de assado e esfriado, polvilhe o bolo com açúcar de confeiteiro e sirva-o (fiz isso, mas retirei o açúcar e cobri o meu bolo com ganache, que eu acho que combina mais).



O livro lido na semana:
 

 Indignação, de Philip Roth

A estória só confirma o que muitos de nós já percebemos, ou seja, que pequenos atos, palavras aparentemente insignificantes... podem resultar em grandes tragédias! Isso, aliás, é expresso nas linhas do romance.

Uma família judia, composta pelo pai, açougueiro-kosher, a mãe, dona de casa, que muito ajuda o marido no açougue. E o filho único, de nome Marcus Messner, desde a infância, muito responsável e obediente, vivem em Newark, New Jersey

O menino – ótimo aluno -, também trabalha no açougue, nas horas em que não estuda. E a família vive numa feliz harmonia.

Contudo, quando o rapaz chega à adolescência e à fase em que deve adquirir mais autonomia e liberdade, inclusive por ter ingressado numa universidade, o pai passa a agir como se tivesse sido tomado por um demônio, que se manifesta infundido nele um medo irracional de que o filho seja vítima de algum dos perigos da vida. O velho passa a temer – fortemente - que o rapaz,  sempre tão correto e promissor, venha a se desviar do caminho que todos sonharam para ele.

E a coisa chega a tal ponto, que Marcus, para fugir ao controle paranóico do pai, transfere-se da universidade local para outra, em estado relativamente distante. Isso ocorre em 1951, segundo ano da guerra entre EUA e Coreia.

A guerra tem importância na estória, porque Marcus, como todos os jovens aptos, em sua faixa etária, só tinha se livrado – até aquele momento – da obrigação de servir ao exército e de ser enviado à Coreia, justamente pelo fato de ser ótimo aluno e uma promessa de bem sucedida carreira acadêmica e profissional.

Mas o jovem ainda estava iniciando o 2º ano do curso escolhido, na ‘nova’ universidade, e a possibilidade de ser obrigado ao alistamento, bem como ao posterior envio à guerra, era uma permanente ameaça.

E aí ocorre algo – banal – que leva as coisas a desandarem completamente. E esse algo era o obrigação, imposta a todos os alunos da universidade, de assistirem – na capela do câmpus - a um certo número de cultos cristãos, exigência imprescindível para que o aluno pudesse formar-se. 

O jovem, nascido em família judaica, era ateu e achava a tal obrigação arbitrária e ilógica. E ele já havia lido o ensaio de Bertrand Russell “Por que não sou cristão”, que reforçara a descrença dele.

Nos, entrementes, o rapaz vira-se forçado a mudar de quarto, na universidade, por causa de um colega chato, que o impedia de estudar. O novo companheiro de dormitório era introspectivo e calado, mas comete o erro de fazer um comentário infeliz sobre a moça com quem Marcus tivera um encontro. E Marcus sentira-se tão ofendido, que se vira impelido a mudar uma segunda vez de quarto.

A moça da questão fazia algumas matérias com Marcus, era bonita e filha de médico, mas no passado recente, tentara o suicídio.

Quando Marcus é chamado para apresentar-se ao diretor de alunos (uma espécie de orientador acadêmico), este o questiona sobre as duas mudanças de dormitório – em tão pouco tempo - e também sobre a recusa do rapaz em assistir aos serviços religiosos cristãos.

O aluno e o diretor acabam tendo uma altercação (dando o diretor a entender que Marcus era  truculento e de difícil convívio)  e o jovem decide então fazer o mesmo que faziam os outros alunos judeus: pagar - para que alguém assistisse, secretamente, claro, aos cultos por ele.

Todavia, um incidente ocorrido na universidade, e o fato de o diretor ter descoberto que Marcus estava pagando a alguém para ir à capela por ele, combinam-se para que o diretor o expulse.

E o jovem, então, decide ir para a guerra...


quinta-feira, 15 de julho de 2021

Pudim de iogurte e leite condensado, livro O Tesouro da casa Velha e...

 

Olá, meus amores!
Espero que todos estejam bem, apesar das circunstâncias difíceis que estamos a atravessar. 
A receita deste pudim tem 'bombado' na Internet, pelo motivo de ele levar apenas dois ingredientes: iogurte e leite condensado. Ele também é facílimo de fazer, já que até a calda (cujo preparo intimida um pouco os cozinheiros inexperientes) pode ser dispensada. 
É uma receita a ser considerada pelos que gostam de economia e de iguarias com sabor que lembram o do cheesecake. 

Pudim de iogurte e leite condensado 

Ingredientes

1 e 1/2 embalagens de leite condensado  (a embalagem pesa 395 gramas)
3 embalagens de iogurte natural integral (por cá, cada embalagem pesa 170 gramas)

Preparo

Pnha os ingredientes no copo do líquidificador e bata tudo até homogeneizar bem. Despeje o batido na forma (pequena)  em que o pudim vai assar  Atenção: a forma pode ser untada com manteiga ou desmoldante (e nesse caso o pudim deverá ser assado como um bolo (sem banho-maria, pelo tempo de 45 minutos) ou pode ser revestida com caramelo (como eu fiz) e assado no banho-maria. Forno médio (180º C), por 1 hora. Espere esfriar, e leve a forma à geladeira por pelo menos 4 horas, antes de desenformar o pudim. Caso opte por fazer o pudim sem o caramelo, você pode cobri-lo depois com a cobertura que desejar: geléia de frutas, zabaione, confit de frutas etc.

Calda de caramelo  (opcional)

Ingredientes

1 xícara (240 ml) de açúcar
1/2 xícara de água fervente

Veja como preparar o caramelo neste link.


O livro dos últimos dias

O tesouro da Casa Velha, de Cora Coralina


Cora Coralina escreveu este livro quando contava mais de 90 anos (a obra teve edição póstuma). Ele compõe-se de 18 contos. Percebe-se que a maioria dos textos registram flashes de memória da autora, episódios vividos por ela e bem gravados em seu espírito.

A mim, me agrada a brasilidade de Cora Coralina, o jeito de contar causos, de um modo simples e despretensiso, que são  comuns nas narrativas dos habitantes de certas regiões do Brasil. 

Também é possível perceber nos textos o espírito da época, os costumes e as tradições, muitas vezes machistas ou sujeitadoras das mulheres (a  autora nasceu em 1889).

Mas os contos têm temas muito variados e a sensibilidade e alma poética de Cora Coralina estão presentes em cada um deles. 

                                    

Resolvi publicar estas fotos, que são do outro extremo do lago mostrado nas fotos do post anterior. Este lago corta a cidade de ponta a ponta e este parque fica no lado norte. As fotos abaixo, tiradas ao acaso, um tempo atrás, não são grande coisa, pois eu nem sonhava em publicá-las. Mas nesses dias de confinamento e recolhimento tenho sentido muita falta dos passeios 'descuidados' que fazíamos num passado próximo, rsrs. 




E é só, por hora, amigos. Mas em breve teremos mais.


sábado, 19 de junho de 2021

Mimosa de morangos, livro 'Grandes Esperanças' e...

 

Olá, queridos leitores, desejo que todos estejam bem! 
Muitos de nós já percebemos o quanto é difícil manter o bem estar psicológico, numa situação como a que estamos a atravessar, de pandemia (e todas as suas consequências).
Um jeito de abrandar isso - na minha opinião - é a gente tentar viver do modo mais normal possível, inclusive - e especialmente - celebrando as datas festivas.
Por aqui tivemos mais um aniversário, nos últimos dias.
E para este aniversário eu fiz, novamente, o bolo intenso de chocolate, que teve recheio de brigadeiro branco + morangos frescos e cobertura de ganache de chocolate e 'tubetes' de Trento.


Mas eu também preparei umas tortinhas salgadas ( de bacalhau e palmito) e outras coisinhas.

teve tortas salgadas: de palmito e de bacalhau

Bom, quanto à mimosa de morangos, fui criando a receita com os ingredientes que  já tinha em casa. O povo da casa aprovou, por isso decidi publicar a receita:

Mimosa de morangos

Ingredientes

1 garrafa (750 ml) de champanhe rosé

¼ de xícara de açúcar granulado (ou mais se preferir mais doce)

300 ml de vinho branco seco

1 xícara (240 ml) de morangos limpos, picados e congelados (mais alguns ‘in natura’ se quiser decorar o copo com eles; reserve esses)

Preparo

Bata os morangos no liquidificador com o vinho branco seco e o açúcar. Depois de bem batidos, acrescente o champanhe e bata novamente. 


Um dia desses eu e maridex passamos em frente a este local, que é um centro de lazer e entretenimento, construído à beira do lago, em nosso antigo bairro. Não resistimos e entramos, para espairecer por um momento. 





  O livro lido:
 
Grandes Esperanças, do britânico Charles Dickens. 

Li (ou comecei a ler, para ser mais sincera) uns três livros, nesses últimos dias. Mas o único que me cativou realmente, a ponto de eu vencer rapidamente as suas quase 700 páginas, foi este acima, Grandes Esperanças (Great Expectations, no original), de Charles Dickens.

Depois de o ter lido fiquei me perguntando a razão de eu ter achado este livro tão bom. E concluí que é porque os personagens – e a estória também – são do tipo possíveis. Especialmente se a entendermos dentro do tempo em que o escritor viveu.

No tempo de Dickens as pessoas podiam fazer grandes transições sociais através de coisas como casamento, participação em algum negócio, feito nas colônias, e também pelo recebimento de heranças e de benefícios de outras pessoas. E é isto que acontece com o garoto narrador, um menino pobre e órfão, criado pela irmã, bem mais velha, uma megera, casada com um ferreiro.

O menino se chama Pip e um dia – numa das escapulidas de casa, para ir visitar o túmulo dos pais dele – depara com um preso que fugiu de um navio e está sendo  procurado pelas imediações. O preso, que se encontra quase morto de frio, fome e sede, obriga o menino, sob ameaça, a conseguir comida, bebida e uma lima para ele. A lima seria para cortar o grilhão que ele trazia na perna.

O menino, aterrorizado, cumpre as exigências do preso, e para cumpri-las enfrenta riscos, porque a irmã dele, como foi dito, é uma megera. O ferreiro, marido da irmã, no entanto, é uma homem muito bom e é especialmente amigo e protetor do menino.

Um tempo depois a família do menino recebe convite para enviá-lo à casa de uma dama rica, da localidade, a fim de brincar um pouco com a filha adotiva dela. Essa ação foi intermediada por um comerciante que é aparentado da família de Pip.

Na mansão o menino descobre que a dama, que se chama Senhora Havisham, sofreu um tremendo desapontamento, na juventude, devido ao fato de ter sido abandonada pelo noivo, no dia do casamento. Desde aquele dia ela se trancou dentro de casa, não quis mais ver a luz do sol e jamais deixou que a mesa  destinada à festa, com o bolo, fosse desfeita. Ela também veste – de vez em quando - o vestido de noiva que não chegou a adentrar a igreja. 

Pelo acontecido, a Sra. Havisham cultivou grande rancor pelos homens e cria a filha adotiva, que se chama Estella, para que ela venha a ser sempre fria e cruel com eles.

O menino se encanta pela menina, que o trata sempre mal, por ter aprendido bem as lições dadas pela mãe. Contudo, ele volta à mansão algumas vezes, sempre para brincar com a menina, à qual se sente cada dia mais ligado. Ele também aspira a – um dia – vir a fazer parte do mundo dela.

Como as relações do menino com a dama e a filha dela não melhoram, ele - ainda que amando a menina -, deixa de visitá-las e decide se tornar aprendiz de ferreiro, trabalhando na ferraria do cunhado. 

Anos depois, a família do menino, que então tinha entrado na adolescência e se tornara um rapaz, recebe a visita de um famoso advogado (também advogado da Senhora Havisham) que diz a eles que o rapaz recebeu uma herança, que ele deve usar para adquirir uma boa educação e se tornar um cavalheiro. A fortuna, aliás, seria passada ao jovem – através desse advogado, aos poucos, conforme surgissem as despesas que ele passaria a fazer, já que, durante os estudos, ele teria de se mudar de cidade e também passar a conviver com pessoas de classe superior. 

 O advogado também diz que o benfeitor (ou benfeitora) do rapaz não quer ser identificado e que - justamente - estipulou essa condição para que ele receba o benefício.

Bem... vou parar por aqui, para não estragar totalmente a surpresa de quem se aventurar a ler o livro. 

Mas eu não posso deixar de registrar um conhecimento que adquiri na vida, com relação às pessoas que não conhecemos bem (mas isso se aplica particularmente às pessoas privilegiadas, ricas. ou que - por alguma razão - gozam de vantagens especiais): muitas vezes o brilho que a gente enxerga nelas, ou nas circunstâncias em que vivem, é apenas um brilho ilusório. É algo totalmente baseado em superficialidades, sem substância real. 

Esta constatação sempre me faz lembrar da frase do Millôr Fernandes:

"Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem!"

De qualquer forma, o livro não é apenas sobre isso e eu achei que o tempo despendido para o ler foi muito bem aproveitado. 

O curioso é que anos atrás eu vi um dos filmes baseados neste livro, a versão de 1998, em que a estória foi transportada para os dias atuais. Ela foi estrelada por Ethan Hawke, Gwyneth Paltrow, Robert De Niro e Anne Bancroft. Gostei do filme. Mas não me lembro do quanto ele foi fiel ao livro. 

E é só por enquanto... até já! 

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