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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Praliné, o que rolou na cozinha, durante a semana, e os últimos livros lidos


Olá e bom fim de semana para todos! Para quem não sabe, Praliné é tipo uma farofa, feita de um caramelo endurecido e enriquecido com alguma (ou várias) 'nuts" (castanhas, nozes, amendoim, etc). Muita gente confunde o Praliné com o Nougat (ou Nougatine) que é o mesmo doce não quebrado, não transformado em pó.  O Praliné é muito utilizado para acompanhar sobremesas e também em recheios, aos quais ele acrescenta crocância e sabor.


A minha receita do Praliné é muito simples: o mesmo peso de açúcar e 'nuts', sendo que estas entram na calda no momento em que ela se torna um caramelo. As 'nuts' são previamente torradas (mas há quem faça a receita sem isso). E há também os que acrescentem sumo de limão ou outro ingrediente à mistura, para incrementá-la ou destacar o sabor das castanhas. Fiz este com amêndoas torradas.

Praliné (de amêndoas torradas)

Ingredientes

200 gramas de açúcar
200 gramas de amêndoas torradas  
3/4 de xícara de água

Preparo


Tenha já em mãos as amêndoas torradas. Reserve-as. Unte com manteiga uma superfície lisa e limpa (como uma bancada de mármore, por exemplo). Numa panela de fundo grosso (de preferência) faça uma calda com a água e o açúcar e deixe que a calda cozinhe (sem mexer nela!) até que ganhe uma cor marrom (ponto de caramelo, que é quando você joga um pouquinho da calda quente num pires com água fria, e ela endurece imediatamente. A temperatura neste ponto pode variar de 121 a 131º C). Junte as amêndoas ao caramelo (misturando bem) e verta tudo sobre a superfície preparada. Espere que esfrie e endureça. Solte o caramelo, pelas bordas, com uma faca, e quebre-o em pedaços bem pequenos, com um martelinho de cozinha (gosto de colocar os pedaços grandes do doce num saco plástico grosso, antes de quebrá-lo bem).




Cozinhei muito nesta semana, e ainda fiz alguns extras, como estas tortas de bacalhau e o bolo de cenoura americano, que também foi publicado primeiramente aqui no blog (numa tradução e adaptação da receita  clássica, feitas por mim). Esta receita depois se espalhou pela blogosfera de língua portuguesa, que quase nunca reconhece a origem dela. 




a receita desta torta foi postada aqui.


Bolo de cenoura norte-americano (úmido, temperado com especiarias e enriquecido com 'nuts'). A receita foi publicada pela primeira vez aqui, em 2009. Mas vou postá-la abaixo novamente, para que vocês possam reconhecê-la, quando a virem em outro site (já a achei em áginas que copiou até a minha redação!) 

Bolo de cenoura norte-americano (com nozes)
Ingredientes

4 ovos
1 e 1/4 de xícara (chá) de óleo de cozinha (usei apenas 3/4 xícara de óleo de girassol)
2 xícaras (chá) de açúcar
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
2 colheres (chá) de bicarbonato de sódio*
2 colheres (chá) de fermento em pó*
1/2 colher (chá) de sal
2 colheres (chá) de canela moída**
3 xícaras (chá) de cenoura ralada no ralador grosso (na parte que fica parecendo flocos finos)
1 xícara (chá) de nozes picadas em pedaços não muito pequenos

Preparo

Ligue o forno à temperatura de 180ºC. Unte e enfarinhe um tabuleiro grande de 30cm por 40cm. (se for usado tabuleiro um pouco menor, o bolo fica mais alto; se pouco maior, mais baixo).
Bata no liquidificador (por dois minutos): o óleo, os ovos, o sal, e o açúcar.
Enquanto isso, peneire numa tigela à parte, a farinha a canela e o fermento.
Junte o batido no liquidificador à farinha. Acrescente a cenoura ralada e as nozes e misture tudo com um garfo.
Verta a massa na forma preparada e leve-a ao forno por cerca de 45 minutos ou até que o bolo passe no teste do palito.

Cobertura


Ingredientes


1/2 xícara (chá) de manteiga em temperatura ambiente
227 gramas de cream cheese (queijo cremoso tipo Philadelphia)- usei só 150 gramas, desta vez
4 xícaras (chá) de açucar de confeiteiro (usei só 3 xícaras, desta vez)
1 colher (chá) de essência de baunilha

Preparo


Ponha todos os ingredientes na tigela da batedeira e misture tudo com um garfo. Após isso, leve a tigela à batedeira e bata até que a misture fique cremosa e fofa (dois minutos). Aplique a cobertura no bolo.

Notas:


* - Substituí as colheres de chá bicarbonato e fermento, por uma única colher de sopa de fermento em pó, pois não gosto muito do sabor residual do bicarbonato.
Se você não se importa, faça como manda a receita.

** - Acrescentei ao meu bolo: 1 colher (chá) de cravo em pó; 1/2 colher (chá) de noz-moscada em pó
1 pitada de cardamomo em pó. 



a fatia do bolo de cenoura norte-americano



E os livros destes primeiros dias de outubro:



Rio em Shamas, de Anderson França, o Dinho.

Eu nunca havia ouvido falar do Anderson França, apesar de ele ter milhares de seguidores no Facebook. Contudo, passaram-me este livro com a recomendação de lê-lo, e assim que o comecei  a folhear, engatei na leitura e só o deixei depois de tê-la concluído. Trata-se de um escritor que apesar de ter iniciado duas faculdades, faz questão de escrever do modo como fala, então a chamada norma culta passa longe dele, rsrs.

Os textos do Anderson, porém, são tão carregados de ... brasilidade  e humor que a gente simplesmente não consegue parar de lê-los. Mas, que ninguém se engane, a crítica à desigualdade social e a outras mazelas vigentes em nosso país está inteirinha lá. O Anderson é filho de retirantes nordestinos e muito conhecedor das dificuldades que tal condição acarreta. Mas é com humor que ele fala delas e também de um Rio de Janeiro que é desconhecido de muitos cariocas, que é o da gente que mora em locais como Madureira e Cavalcanti, pega ônibus e vai ao Cadeg (um tipo de Ceasa) de madrugada. Achei a leitura deste livro muito válida!

Trechinho do livro:

“Eu achava que de noite uns satanazes entravam no meu quarto para me atormentar. Isso até o dia que minha mãe me disse: Cavalcanti é muito longe, Satanás não vem aqui, não.”

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Como conversar com um fascista, de Márcia Tiburi.

Márcia é professora de filosofia e eu, por causa dos tempos sombrios que estamos a atravessar, tenho me voltado também para os livros que abordam os problemas que temos enfrentado, como o recrudescimento do conservadorismo, com o reaparecimento de reacionários e fascistas.

Quem já se deu ao trabalho de ler os comentários, publicados em posts sobre política e assuntos afins, percebeu que a conversa entre os que pensam de modo diferente tornou-se praticamente impossível. Em vez disso, o que vemos é a troca de insultos, os ódios e a barbárie. Qual seria o remédio para isso? Segundo a autora é o diálogo, pois “o diálogo é a forma específica do ativismo filosófico.”

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E é só para ao momento. Até breve!



quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Polenta Natalina e os últimos livros lidos


                                               polenta com molho de tomates

Olá, meu povo! Este post é mais para mostrar que a gente pode servir qualquer prato, em qualquer festa, independentemente daquilo que a tradição indica, - como eu já disse aqui no blog, mais de uma vez, rsrs. Faço questão de deixar isso claro porque as comidas tradicionais do Natal nem são lá apropriadas para o verão, não é verdade?  E olha que por aqui, nessa altura, costuma fazer frio, porque, depois de uns dois meses de calorão, as chuvas caem, e isso faz baixar bem a temperatura.
  
Faço esta polenta costumeiramente, conforme mostra a foto abaixo. Mas quero sugeri-la também como prato natalino, para aqueles que gostam desta iguaria.


aqui ela foi servida com um antepasto de berinjelas


Polenta firme com molho de tomates

Ingredientes

2 xícaras de fubá mimoso (farinha de milho fina)
1 e 1/2 litros de água (ou água e leite, ou caldo de legumes, galinha ou carne)
2 colheres de chá de sal (se for usar caldo já salgado dispense o sal, ou ajuste-o)
2 colheres de sopa de manteiga

Preparo

Jogue água dentro de uma forma de pudim pequena e escorra a água. Reserve a forma. Ponha a água da receita para ferver com o sal, numa panela de fundo grosso. Quando a água começar a borbulhar, abaixe o fogo e vá despejando o fubá sobre ela - aos poucos - mexendo sempre para não empelotar. Cozinhe, mexendo sempre, por 20-25 minutos (a massa fica grossa). Apague o fogo e acrescente a manteiga. Misture tudo muito bem e despeje imediatamente a mistura na forma preparada. Nivele a mistura com as costas de uma colher e bata a forma sobre a mesa para que a massa se acomode melhor no fundo.  Sem isso a polenta pode não apresentar uma aparência lisa e uniforme. Cubra a forma com um pano limpo e espere que a polenta esfrie. Depois de fria leve-a a geladeira, coberta com filme plástico e, no seguinte, desenforme-a no prato em que será apresentada. Faça  o molho abaixo, ou o seu molho de tomates preferido, e sirva-o juntamente com a polenta.  

Nota: há quem prefira dissolver o fubá na água e levá-lo ao fogo já dissolvido, para evitar que a mistura fique encaroçada.


Molho de Tomates Clássico, à minha moda

Ingredientes 

1 cebola cortada em pétalas finas
6 tomates sem pele e sem sementes, bem maduros ou 1 embalagem de molho de tomate pronto (escolha um excelente, que tenha pelo menos 300 gramas)
3 colheres (sopa) de azeite de oliva extra virgem, do bom
1 colher de sopa rasa da mistura de ervas italianas (orégano, manjericão, manjerona, alecrim e tomilho – mas você pode usar apenas o manjericão e o orégano)
3 dentes de alho, cortados
5 xícaras de caldo vegetal (ou água)
Sal a gosto
1 boa pitada de açúcar

Preparo

Ponha todos os ingredientes numa panela grande. Tampe a panela e espere que a mistura ferva. Tire a tampa, reduza o fogo, e deixe que cozinhe durante 8 minutos. Apague o fogo, passe o molho por uma peneira e empregue-o.  


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Os últimos livros lidos



Li os livros acima nos últimos meses (outubro-novembro). Porém, o A mulher mais linda da Cidade (de Charles Bukowski), e Os Demônios, de Fiódor Dostoiévski, foram releituras.

Os livros do Bukowski são aquelas 'bagaceiras' de sempre, ou ele não faria jus ao apelido - que ele mesmo se deu - de 'Velho Safado'. Sou fã dele assim mesmo, rsrs.
Os Livros e os dias, do argentino naturalizado canadense, Alberto Manguel, é um livro interessante, pois mistura relatos do dia a dia do escritor - registrados durante um ano - com resenhas dos livros que ele se propôs a ler ou reler, durante aquele ano. Muitos dos livros que ele leu, eu já li, e é sempre um prazer saber da opinião de alguém sobre os livros que lemos, né não? rsrs. Contudo, algumas das obras referidas eu desconhecia, como o O Livro de Travesseiro, da dama da corte imperial japonesa, Sei Shônagon, que viveu no século 10. O curioso é que eu já havia visto o filme  O Livro de Cabeceira (de 1996), de Peter Greenaway, que foi inspirado em Sei Shônagon, sem atentar para quem teria sido a tal figura. Quero ler o livro dela em breve!

Meu Pescoço é um horror, da Nora Ephron (falecida em 2012), é um livro de ensaios sobre questões do universo feminino. Temas como rugas, maternidade, culinária(!), relacionamentos e coisas do dia a dia da autora são abordados de forma divertida e espirituosa. Eu sempre gostei da Nora Ephron, que também foi roteirista de filmes bacanas como Harry e Sally e Silkwood, entre outros. A máxima abaixo, que eu passei a usar como uma das diretrizes de minha vida, desde que tomei conhecimento dela, é de autoria de Nora Ephron:
 
"Acima de tudo, seja a heroína da sua vida, não a vítima"

(ela disse isso em um discurso feito às formandas do Wellesley College, em 1996)
 

Acho especialmente importante esta frase da Nora Ephron, porque ela soube bem transformar as adversidades em situações positivas. E, podem acreditar, como muitos de nós, ela defrontou-se com acontecimentos em que teve o coração realmente partido.

Nora Ephron e seu então marido Carl Bernstein


Nihonjin, do maringaense Oscar Nakasato: A partir da estória de Hideo Inabata, o autor conta a saga dos imigrantes japoneses no Brasil. E é uma narrativa cheia de informações sobre as questões relativas aos imigrantes nipônicos: da forte ligação deles com o Japão, passando pelo profundo respeito que tinham pelo imperador, o orgulho de serem japoneses, os códigos de honra, etc., tudo é mencionado e entrelaçado à estória particular da família de Inabata. Acompanhamos a vida de três gerações, da entrada de Hideo com a esposa no país, no início do século passado, para o trabalho nas fazendas de café,  ao retorno de um neto dele ao Japão (nos anos mais recentes) para assumir a condição de dekassegui. Este livro, que é agradável de ler, já foi premiado duas vezes. (ah, a palavra nihonjin significa 'japonês', no idioma japonês).
Maurice, de E.M.Foster: Eu já conhecia o Edward Morgan Foster, por causa de ótimos filmes que foram baseados em livros que ele escreveu, como os Passagem para a Índia, Retorno a Howards End e Uma Janela para o Amor. Também já havia visto - mais recentemente - o filme Maurice (com Hugh Grant) que derivou diretamente deste livro. Trata-se da estória do jovem aristocrata inglês, Maurice, que aos poucos vai se percebendo gay, e dos relacionamentos que ele teve após isso. Claro que Maurice é o alter ego do próprio E M Foster, embora os biógrafos dele nos assegurem hoje, que na época em que o livro foi escrito, o autor ainda não tinha encontrado os amores que aparecem na estória. Este livro foi escrito em 1913, mas só foi publicado, postumamente, em 1971, quando os ventos liberalizantes estavam começando a varrer o planeta. 

 A arte da Guerra para mulheres, de, Chin-Ning Chu. a autora adaptou o livro clássico e milenar de Sun Tzu, A arte da Guerra, para o universo feminino moderno. As lições do sábio general chinês (sobre as estratégias militares, as ações diplomáticas etc. que ele aconselhava serem observadas nas guerras do seu tempo) são estendidas às mulheres, para que se saiam bem, nos campos de batalha que elas enfrentam atualmente.



Tornar Se Como Deus, a Cabala e Nosso Destino Final de Michael Berg: É um livro que procura motivar uma transformação espiritual.

Os Demônios, de Fiódor Dostoiévski,  Livro de quase 600 páginas, que eu havia lido muitos anos atrás, sem ter tirado o proveito que tirei nesta leitura recente. É a estória de um movimento político, que irrompe abruptamente numa pequena cidade russa e põe abaixo tudo que estava estabelecido até então. Durante grande parte do relato, não acontecem coisas significativas, porém, de repente, um grupo de jovens anarquistas e niilistas estão se mobilizando para 'transformar' o mundo. Entre eles há gente de todo o jeito: do idealista solitário, que acredita que o suicídio é a solução, ao camarada manipulador e cruel, cujo propósito é puramente controlar os outros. Este objetiva, sobretudo, matar um desafeto, aproveitando-se da confusão da revolução.  A ironia deste livro é que tal possibilidade, que  é deplorada pelo autor, serviu de guia para que fizessem depois, a Revolução Russa, de 1917. Dostoiévski foi tão profético, que os revolucionários de 1917 adotaram até detalhes mínimos, das ações  e métodos repulsivos ou temerários praticados por personagens de sua ficção. Este é um grande livro, sem dúvida!




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