domingo, 19 de janeiro de 2020

Muxá (em nova versão), ecos do Natal e o livro Howards End



Olá, queridos leitores, como têm passado? Espero que muito bem! Aproveito a oportunidade - ainda dá tempo, convenhamos, rsrs - para desejar a todos um 2020 muito bom!

De vez em quando eu recebo e-mail de gente me pedindo o fornecimento do link de uma determinada receita, porque a pessoa não consegue acessá-la através da caixa de pesquisa.

Uma das receitas que - parece - tem sido difícil de achar, é a deste  doce das fotos, o muxá, conhecido na Bahia pelo nome de Lelê.

Há dois (ou mais!) links para esta receita aqui no blog: o do post original e outro, em que o doce é mencionado.

Verifiquei, porém, que só se chega ao primeiro link de forma indireta e isso me deu um novo motivo para republicar a receita (outro motivo é que eu a venho fazendo numa nova versão,  ligeiramente modificada, acho que para melhor).


Muxá - Lelê (ou barrinhas de milho e coco)

Ingredientes

500g de quirera de milho (também conhecida por canjiquinha; é o milho quebrado, comida de passarinho)
700 ml de água (ou um pouco mais)
600 ml de leite integral
3/4 de xícara (chá) de açúcar
1/4 xícara (chá) de leite de coco integral
1/4 de colher de chá de sal
1 coco pequeno ralado ou 200 gramas  de coco seco ralado (2 pacotes)

Preparo

Na véspera, ponha a canjiquinha de molho na água, num recipente com capacidade para uns dois litros (a canjiquinha deve ficar coberta pela água). No dia seguinte, coloque a canjiquinha e a água numa panela de pressão e leve a panela ao fogo (a água deve ultrapassar um pouco o nível da canquinha). Assim que a válvula começar a girar, abaixe o fogo e deixe que cozinhe por  vinte minutos (muita calma nessa hora, mantenha o fogo bem baixinho, pois este preparado costuma grudar no fundo da panela). Tire o ar da panela, junte o açúcar, o sal, o leite e o leite de coco e volte a panela ao fogo baixo, mexendo sempre, até que o milho absorva bem os líquidos (leva mais ou menos meia hora). Desligue o fogo e adicione metade do coco e misture bem. Despeje a mistura num tabuleiro grande (30cm por 40cm), umedecido com água (é só jogar água no tabuleiro e escorrer), nivele a mistura com uma colher. Distribua o restante do coco sobre o doce, cubra-o e deixe que esfrie. Quando amornar, leve a forma  à geladeira. No momento de servir, corte o doce em barrinhas.

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Os biscoitos do Natal

Vi que não mostrei  nada do que preparei ou comemos no Natal e no Réveillon. Foram várias as razões para isso: fotos ruins ou tiradas depois da 'hora' e até mesmo a minha indisposição para tanto.

Mas o fato é que andei fazendo algumas coisas sim, e uma delas foi estes biscoitos natalinos, que eu pretendia distribuir para parentes e amigos, mas acabei não fazendo isso, pois não os preparei na quantidade suficiente.





As receitas dos biscoitos estão espalhadas pelo blog.

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Livro

Howards End,
de E. M. Forster

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Apesar de ter montes de livros à espera de leitura, resolvi reler O Howards End, de E. M. Forster, que eu havia lido numa fase pouco favorável à apreensão do conteúdo de sua estória, cerca de duas décadas atrás.


Que boa ação, essa de reler este livro, quanta reflexão ele despertou em mim, nessa segunda leitura!


Howards End conta a estória de duas famílias – os Schlegel e os Wilcox, que se de associam de maneira quase acidental.


São famílias muito diferentes, a primeira – os Schlegel, que não são inteiramente britânicos, mas meio alemães - é constituída dos irmãos: Margaret (29 anos, no início da narrativa), Helen (21) e Tibby, que está ingressando na universidade  (16 anos). A segunda família, a dos Wilcox – que é muito britânica! -, é formada pelo casal Henry e Ruth,e os seus três filhos adultos: Charles, Paul e Evie.


As irmãs Schlegel e o casal Wilcox se conhecem numa viagem ao exterior. O casal as convida para uma estadia na casa deles, que vem a ser a tal mansão ‘Howards End’. Quem atende ao convite é Helen, a irmã nova. Helen é idealista, liberal, romântica e impetuosa, o que me evocou a personagem Marianne, do livro de Jane Austen, Razão e Sensibilidade. 

Em HowardsEnd Helen tem um brevíssimo romance com Paul, o filho do meio do casal Wilcox. O encontro dos dois parece ter resultado numa dessas paixões fulminantes, que é constituída mais de mal entendidos do que de qualquer outra coisa.


Ambas as famílias são ricas (os Wilcox mais do que os Schlegel), mas o que salta aos olhos, desde o início, é a grande diferença existente entre as pessoas das duas famílias. Os Wilcoxs (excetuando a matriarca, Ruth) são práticos, materialista (capitalistas), pouco ligados em cultura e, de certo modo, de trato rude. Os Schlegel são cultos, interessados em pessoas, mais afetuosos (e com uma tendência claramente socialista). 

Henry e Charles Wilcox são sexistas e convencionais, o que, aliás, eram características naturais dos homens daquela época, o período eduardiano inglês que se estendeu de 1901 a 1910. Charles Wilcox é um homem muito objetivo e um tanto agressivo.  Henry é mais tolerável, mas não fica muito atrás do filho.


É de fazer pensar o autoritarismo dos homens de então, sobre as mulheres. E também as restrições que a sociedade impunha a estas. Logo no início da estória fica claro, ao leitor, que os homens Wilcox não acreditam em igualdade entre os sexos. E acham ridículas as reivindicações de vanguarda, como a do voto feminino, feitas pelas sufragistas. 

A Sra. Wilcox, no entanto, é uma pessoa peculiar, do pouco que se fala dela a gente depreende que se trata de uma mulher de não muitas palavras, porém, generosa, gentil, intuitiva e possuidora de uma sabedoria quase mística. Devido a tudo  isso ela consegue ter uma relação muito feliz com todos os membros de sua família.


Howards End é a casa onde Ruth Wilcox nasceu, e com a qual ela tem uma relação muito especial, pois acredita que todas as casas têm uma índole, um tipo de espírito, sendo o de Howards End um espírito benevolente. O interessante é que nada disso é dito assim, claramente, mas a gente acaba por perceber qual era a visão da mulher sobre a casa.

Nessas duas famílias o escritor quis caracterizar dois dos principais grupamentos sociais de então, na Inglaterra: a aristocracia e a burguesia. Mas há uma terceira família, a dos Bast, que representa o estrato social pobre, de gente assalariada, que vive permanentemente preocupada com questões financeiras.


Leonardo Bast é um pobre funcionário de uma seguradora. Ele é casado com uma mulher mais velha, chamada Jacqui, que no passado teve vida desregrada.

Com o correr da estória a gente percebe o entrelaçamento das três famílias, e as questões sociais e morais decorrentes desse entrelaçamento.


É isso aí.... até já!

9 comentários:

chica disse...

Marly, teus biscoitos dão água na boca e esses bolinhos não sabia desse nome.
Ótimos! Reler livros, nos mostram detalhes que passaram despercebidos! É legal! bjs praianos,chica

Pedrita disse...

que lindo, amei as jarrinhas. que linda a caixa com os biscoitos. eu ganhei uma lata pequena de natal com biscoitos há uns anos, coloco de enfeite todo ano. e claro q vazia hahahahaha. eu vi o filme há anos e gostei muito. ainda não li esse livro. beijos, pedrita

Heloísa Sérvulo da Cunha disse...

Marly,
Como devem ser saborosos esse docinhos. E nesse formato de coração ficaram ainda mais tentadores.
Os biscoitos, como sempre, muito lindos.
O livro me pareceu muito interessante.
Beijo.

São Ribeiro disse...

Achei os docinhos uma delicia.
Dantes lia muito agora tenho pouco tempo, o livro deve ser muito interessante.
Boa semana

Prata da casa disse...

Querida Marly: tão boa esta partilha de delícias típicas do nosso país/ região. Não conhecia, mas parece deliciosa.
O livro parece muito interessante. Neste momento estou a ler um de uma das minhas escritoras preferidas, Isabel Allende, "Longa pétala de mar".
Bjn
Márcia

Dalva Rodrigues disse...

Amei a receita, Marly, adoro quirera, como as rolinhas! rs
Já está na lista.
Sou a medrosa da panela de pressão para coisas tipo canjica, grão de bico, ervilha...Agora faço assim, apitou, gira uns 2 a 3 minutos desligo e deixo até sair a fervura, abro vejo como está, mecho, passo água na tampa, fecho e repito quantas vezes necessário. Demora mais, mas por outro lado economiza gás porque enquanto está com pressão mesmo desligada está cozinhando.
Fica a dica para medrosas de panela de pressão explodir.

Pareceu bem interessante o livro, as classes sociais sempre rende bons enredos, adorei sua sinopse!
Abraço!

Simon Durochefort disse...

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Patricia Merella disse...

Sabe Marly,por cá tem tanta plantação de milho,mas os Belgas n tem costume de comer nada com milho. Só milho enlatados. Os brasileiros de Goiânia,colhem muito e fazem pamonhas eu Já provei e que delícia. As vezes o marido traz e assamos. Eu compro está farinha de milho e faço cuscuz. Ontém comi pudim de milho pela primeira vez e que delícia. Compro milho branco e faço "mugunzá" penso q vocês aí chamam de canjica. Enfim,tanto milho por cá e tantos pratos se podem fazer e os Belgas não sabem aproveitar. Boa semana amiga! Beijinhos

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