No final do ano passado eu
percebi um nodulozinho no meu seio direito. Eu havia criado o hábito de fazer o
autoexame, desde que algumas amigas apresentaram a doença. Para ser sincera,
eu nunca fui muito disciplinada, na questão do autoexame, porém, fui eu mesma
que percebi em mim o tal nódulo, um volume que me parecia do tamanho de uma
ervilha.
Não levei a coisa tão à sério, porque
acreditei, num primeiro momento, que o nódulo poderia ser algo como... sei lá,
um espessamento qualquer do tecido da mama, enfim, uma coisa benigna. Eu nunca usei
anticoncepcionais e nem fiz a reposição hormonal, então achei que não deveria
me preocupar demais.
Mas – claro – assim que deu, comecei a investigar a coisa, começando pelo ginecologista, profissional que eu vinha evitando fazia anos. Ele pediu os exames necessários, e logo eu me vi com o assustador diagnóstico na mão.
O tratamento de um tumor dessa
natureza envolve uma equipe multidisciplinar. A gente tem que lidar - pelo
menos - com um mastologista, um cirurgião e um oncologista, que é o especialista
de fato, nessa doença. Eu pude contar também com uma nutricionista e uma psicóloga. No meio disso tudo, se faz dezenas de exames. A vida da gente,
com certeza, muda demais!
Dai, que eu cheguei ao tratamento
efetivo, que é a quimioterapia e, com ela, experimentei os efeitos temidos, mas
já esperados: perda dos cabelos, etc. Agora entrei na fase pós quimioterapia e
estou tentando me fortalecer para os anos vindouros. Sim, fortalecer... e anos vindouros, pois vem
acontecendo comigo o que já aconteceu com muitas outras pessoas, que se viram
na mesma situação: uma intensa conscientização da brevidade e do valor da vida,
somada ao desejo de aproveitar ao máximo, cada minuto que me for dado para
estar nesse planeta.
Já percebi que estou menos
paciente para baixezas (infelizmente tão horrivelmente presentes entre nós, nos
dias correntes) também já não me permito tolerar, minimamente, crueldades e
coisas do gênero. Não perderei sequer um segundo, cultivando relacionamentos
com pessoas dadas a qualquer dessas práticas. Agora eu quero mais é ser feliz e
curtir as pessoas que amo, do jeito que sempre desejei.
Dentro do que sei e me é possível fazer, quero poder conscientizar outras mulheres sobre os fatos relacionados a essa doença. Quero poder fazer algo por elas, ainda que seja apenas aumentar um pouquinho a esperança de cada uma. Quero fazer o que gosto, sempre amando a vida e me encantando com o mundo, como sempre aconteceu.
Dentro do que sei e me é possível fazer, quero poder conscientizar outras mulheres sobre os fatos relacionados a essa doença. Quero poder fazer algo por elas, ainda que seja apenas aumentar um pouquinho a esperança de cada uma. Quero fazer o que gosto, sempre amando a vida e me encantando com o mundo, como sempre aconteceu.
É isso!
