Você ai que me lê, por acaso você já se sentiu insatisfeito
com a conjuntura em que vive? Com conjuntura quero dizer: esta circunstância de exagerada valorização dos bens materiais; este
esquema que coloca o o ‘ter’, antes do ‘ser’ e o progresso antes do ser humano? Já achou que talvez fosse possível mandar estes valores todos às favas, e partir em busca de uma vida mais simples e
autêntica?
Pois foi justamente isto que fez o escritor Henry David Thoreau, quando, aos 27 anos, fechou a escola de vanguarda, que havia fundado
com a mãe, e foi morar sozinho, no meio da floresta. A escola dos Thoreau não
adotava humilhações nem castigos físicos, que eram a base do ensino de então –
por volta da terceira década do século
XIX. Ela também promovia passeios ao
campo e atividades ao ar livre. Precisamente por essas "liberalidades" o método
de ensino dos Thoreau não foi bem aceito nos EUA, daquela época. E então o jovem Henry David foi morar na floresta. Com isso
ele objetivava ater-se somente aos fatos essenciais da vida. E provar que era
possível sim, viver feliz, com o mínimo, cercado pela natureza. Sobre esta decisão
depois ele escreveria:
“Fui para os bosques viver de livre vontade,
Para sugar todo o tutano da vida…
Para aniquilar tudo o que não era vida,
E para, quando morrer, não descobrir que não vivi!”
A experiência de morar sozinho na floresta, numa casinha que
ele construiu com as próprias mãos, foi relatada neste livro estupendo, chamado
Walden.
Na Wikipédia é dito que:
Walden contém tanto uma declaração de independência pessoal,
uma experiência social e uma viagem de descoberta espiritual, como também um
manual para a autossuficiência.
E eu digo que Walden é um desses livros que, sem relatar um drama, é comovente; sem pretensão à
sublimidade é poético; sem buscar necessariamente a elevação espiritual
é transcendente.
O primeiro livro Walden que li, há muitos anos, no qual sublinhei
centenas de frases, e enchi as margens de anotações, desapareceu, no vai-e-vem de
livros daqui de casa. Isso para mim foi uma perda irreparável. Mas logo tratei de arranjar outro (não o definitivo, pois este da foto é um livrinho que contém também o Desobediência Civil, um ensaio escrito por Thoreau, do qual pretendo falar em outra oportunidade, pois este ensaio influenciou demais o pensamento de gente como Liev Tolstói,
Mahatma Gandhi, e Martin Luther King). Leio o Walden
sempre que as coisas parecem-me confusas demais. Nele sempre encontro
graça e sentido e, de um modo estranho, sinto-me irmanada a Henry David
Thoreau.
Foi inspirado em Walden, que o jovem Christopher
McCandless partiu, sem rumo, na década de 90, em busca de simplicidade e
liberdade, fato que gerou o filme “Na natureza selvagem”, dirigido por Sean
Penn.
(e este é também um dos livros que 'Truman Capote' leva para um dos presos do filme 'Capote'. Alguém aí observou isso? rsrs)
(e este é também um dos livros que 'Truman Capote' leva para um dos presos do filme 'Capote'. Alguém aí observou isso? rsrs)
Algumas das boas frases de Walden:
“Vá confiantemente na direção de seus sonhos. Viva
a vida que você imaginou”.
“Para cada mil homens
dedicados a cortar as folhas do mal, há apenas um atacando as raízes”.
“A maioria dos
homens vive uma existência de tranquilo desespero”.