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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Terrine de Campanha à minha moda e os 'ecos' do Natal


servi a minha Terrine com couscous marroquino



Olá e feliz 2019 para todos!

Esta terrine  seria um dos pratos do nosso jantar de Réveillon, mas acabei por servi-la hoje, já que havia outra carne no menu do jantar, e poucas pessoas à mesa. 
A Terrine de Campanha se caracteriza pela mistura de carnes de aves (antigamente eram aves de caça) + carne de vaca (ou outros animais) + gordura de porco (ou pedaços de porco) + vinho + tempero caprichado, incluindo especiarias. Ela tem uma origem humilde, mas sofisticou-se a ponto de ser hoje considerada uma iguaria nobre.
Eu adaptei a minha, porque não queria misturas demais de carne neste prato, rsrs. Atualmente, para ocasiões especiais, as pessoas têm juntado 'nuts' e outros ingredientes como frutas secas, em suas terrines.

Terrine de Campanha à minha moda
Ingredientes
300g de carne de vaca moída (usei patinho)
150 gramas de lingüiça calabresa sem a pele e picada
1 gomo de linguiça toscana sem a pele e “esfarelada”
1 pedaço pequeno de Pancetta, picada
2 fatias de pão de forma sem cascas e partidas grosseiramente
1 ovo ligeiramente batido
2 dentes de alho médios, esmagados ou bem picados
1 cebola média picada
½ pimentão vermelho picado
50 ml de vinho branco seco
50 ml de conhaque
4 folhinhas de manjerona picadas grosseiramente
3 raminhos de tomilho
4 grãos de pimenta do reino preta moídos na hora
1 folha de louro esmagada
1 pedaço de pimenta de cheiro picada (o equivalente a 1 colher de chá)
10 fatias finas de bacon (mais ou menos)
1 colher de sopa rasa de sal (ou a gosto)

Preparo

Na véspera (ou no mínimo 2 horas antes) prepare uma marinada com as bebidas, os temperos e as carnes. Misture tudo, ponha a mistura num saco plástico, bem fechado, e deixe o saco na geladeira.
No dia seguinte, dê uma ligeira refogada no pimentão juntamente com a cebola e deixe-os de lado.
Passe as carnes rapidamente por um processador de alimentos. Numa tigela grande, junte as carnes, o ovo, o pão e o refogado de cebola e pimentão.
Misture tudo muito bem. Forre uma forma grande de pão (ou a própria terrine, se você tiver uma) com uma folha de papel alumínio. Unte ligeiramente o papel com óleo de cozinha e espalhe as fatias do bacon no fundo da forma, sobre o papel alumínio. Espalhe a carne sobre o bacon, nivelando tudo com as costas de uma colher. Cubra a forma com papel alumínio e leve-a ao forno, baixo (170ºC), em banho maria, por cerca de 1 hora e meia. Deixe a carne esfriar na forma, em temperatura ambiente e depois leve a forma à geladeira por pelo menos 2 dias (no momento em que virei a minha carne no prato decidi levá-la ao forno (grill) para dourar um pouquinho o bacon. 



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O Natal veio e passou. E a gente ganhou o que?


livros, principalmente, que é um presente que sempre me agrada!

mas ganhei também chás especiais (outra paixão minha)

e cartões de Natal feitos por minhas duas artistas...


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E é só, para o momento. Espero tornar-me mais frequente este ano, neste bloguito. Até a próxima!




quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

O "Bolo da Vida" e outros bolos natalinos, para presentear ou se deliciar!



Olá!

Estamos a poucos dias do Natal, mas ainda dá tempo de fazer um ou vários bolos natalinos para comer ou presentear, nessa grande festa. Aqui no blog eu já publiquei muitas receitas de bolos natalinos ou bolos de frutas secas (que é o mais comum deles), porém não havia publicado ainda a receita deste bolinho da foto. Esta receita veio à público através da revista Claudia Cozinha, muitos anos atrás. Trata-se de uma receita cheia de simbologias ligadas ao espírito natalino, pois cada ingrediente tem um significado associado a uma virtude, dom ou qualidade (ovos: criatividade; açúcar: ternura; fermento: desenvolvimento; manteiga/margarina: compreensão/maleabilidade; farinha: força; frutas cristalizadas: fé, cerejas: amor; passas brancas: esperança/alegria; Passas pretas: Paciência; damasco: Perspicácia; canela em pó: coragem) 

Bolo da Vida

Ingredientes

6 ovos
1 1/2 xícara de chá de açúcar
1 colher de sopa fermento em pó
1 xícara de margarina
3 xícaras de farinha de trigo
3/4 xícara frutas cristalizadas
1/2 xícara de cerejas em calda, escorridas e picadas
1/2 xícara de passas brancas
1/2 xícara de passas pretas 
1/2 xícara de damascos picados
1/2 colher de café de cravo em pó 
1/2 colher de café canela em pó (coloquei 1 e meia colheres de chá)
1/4 colher de chá de pimenta da jamaica (acréscimo meu)
1/4 de colher de chá de cardamomo esmagado (acréscimo meu)

 Preparo

Antes de tudo, unte e enfarinhe uma forma grande, para pudim (ou deixe à mão 4 forminhas de papel forneável, como eu fiz).
Tenha as frutas já picadas, secas  e passadas em farinha de trigo (para que não afundem na massa, enquanto o bolo assa). Convêm deixar as passas mergulhadas em vinho do porto ou bebida doce, pelo menos umas duas horas antes do início do preparo do bolo (isso irá hidratá-las e amaciá-las, e ainda acrescentará um sabor extra ao bolo). 
Faça a 'mis en place', que significa: meça e organize sobre a mesa os ingredientes que serão usados.

Numa batedeira, bata os ovos com a manteiga e o açúcar, até ficar uma massa fofa e clara. Fora da batedeira, acrescente  a farinha de trigo peneirada, e misture tudo com um fouet. Adicione o fermento e misture delicadamente. Junte as frutas (já passadas pela farinha) e os demais ingredientes. Misture tudo. Ponha a massa na assadeira e leve-a para assar em forno pré-aquecido (170° C)  por aproximadamente 1 hora (ou talvez um pouco mais; estará pronto quando passar no teste do palito).

Cobertura:

1 xícara de açúcar de confeiteiro
3 colheres de sopa de leite

Preparo

Misture tudo e cubra o bolo ainda quente. Decore o bolo com as frutas que desejar.


                                  os bolos já embalados para presente


Como eu mencionei lá em cima, há muitos outros bolos natalinos aqui no blog. Para encontrá-los basta digitar: 'bolo natalino' ou 'bolo de natal', no quadro de busca, que fica na barra lateral direita, no alto da página.


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foto tirada em Gramado- RS, em 2017

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Temos visto que o mundo está a passar por um momento sombrio, caracterizado pelo individualismo, egoísmo e também pela brutalidade entre as pessoas. Ao longo dos séculos, o Natal tem nos relembrado a mensagem primordial do cristianismo (e tão esquecida, pelos que hoje se dizem cristãos): "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei!"


Feliz Natal!



  

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Beterrabas Recheadas (Para o Natal) e um Patê de ricota

             o creme em cima destas é uma pasta de ricota (veja a receita abaixo)

Olá, minha gente! Resolvi re-postar a receita destas beterrabas recheadas porque elas ficam saborosas, são saudáveis e podem resultar lindas, sendo uma ótima sugestão de prato para qualquer ocasião, especialmente as festivas, como o Natal. 

                      a tinta das beterrabas manchou  o queijo destas, mas elas ficaram deliciosas


                    Publiquei esta receita originalmente aqui, em 2012. 
                                                      foto abaixo



Beterrabas Recheadas (receita postada em 2012)
 
Ingredientes
 
4 beterrabas descascadas e cozidas inteiras (dica: Cozinhe as beterrabas por 10/12 minutos em panela de pressão, medindo o tempo a partir do chiado da panela - juntando 1/2 colher de chá rasa de sal e uma boa pitada de açúcar à agua, para que elas não percam a cor - tive que aprender isso na prática, rsrs).

Recheio:

1 colher (sopa) de manteiga
4 colheres (sopa) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de leite
sal, a gosto
Pimenta do reino
noz-moscada outro tempero a gosto (opcional)

Preparo
 
Retire uma tampinha de cada beterraba (já cozida), marque com uma faquinha o diâmetro da abertura e escave um pouco a polpa (dica: uma pequena colher boleadora facilita esta ação). Reserve de lado as beterrabas e as polpas retiradas. Bata no liquidificador as polpas das beterrabas com um mínimo de água. Numa panela pequena, junte a farinha, o leite, a manteiga e o sal e cozinhe tudo, mexendo sempre, até engrossar e borbulhar.  Misture a polpa batida (que virou um purê) ao creme branco. Recheie as beterrabas com o creme obtido. Pronto! mais fácil do que isso é impossível! rsrs.

Nota: Na versão com a cobertura de queijo não bati as polpas no liquidificador, apenas as piquei e refoguei num pouquinho de óleo, com alho e cebola, bem picados. Juntei ao refogado ¼ de xícara de água, na qual adicionei uma colher de sopa de farinha de trigo (isso é para dar liga ao recheio). Acrescentei uma pitada de pimenta do reino moída e recheei as beterrabas. Por cima delas espalhei queijo mozzarella fatiado. E levei tudo ao forno.


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A versão com a pasta de ricota foi feita como a com queijo, apenas substituí o queijo pela pasta de ricota (que é um creme que usamos geralmente para passar em pães, torradas e biscoitos). Mas é claro que o recheio  e a cobertura podem ser diferentes.

Patê de ricota

Ingredientes

200 gramas de ricota picada
2 colheres (de sopa) de maionese
4 colheres (de sopa) de leite 
sal a gosto
2 dentes de alho (previamente picados e fritos, em pouca gordura)

Preparo

Ponha tudo no liquidificador e bata. Empregue.

Nota: muitos dos ingredientes deste patê podem ser mudados. Há versões com ervas frescas (e secas) e outros temperos, E há a versão light.






domingo, 2 de dezembro de 2018

O 'Melhor bolo de chocolate (nº 2) e Uma mesa de Natal





Olá, para todos! Dezembro começou trazendo novas esperanças aos nossos corações cansados (fala sério, este não está sendo um ano realmente  cansativo?!). Eu já disse aqui, mais de uma vez, que gosto muito deste mês, que é o último do ano. E é também o mês do Natal, festa maravilhosa, inspiradora - ou que deveria inspirar - os sentimentos de fraternidade e solidariedade, característicos do verdadeiro cristianismo. Então, depois de meses de desafios e lutas,  espero que possamos desfrutar de uns dias de trégua, nesta época natalina.
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Eu não gosto de afirmar que uma determinada receita é a melhor, pois trata-se de uma questão que depende de vários fatores, sobre os quais não há unanimidade de opiniões. E neste blog mesmo há outra receita de bolo de chocolate tão boa e rica que é considerada 'a melhor' para muita gente! No entanto, esta receita (e outras que são a mesma, com pequenas variações), ganharam uma tão expressiva aprovação, que a gente tem de admitir que se trata de uma ótima receita de bolo de chocolate descomplicado e econômico. Este bolo resulta úmido, chocolático e muito gostoso. Mas, como os do gênero dele, incluindo aí o bolo cujo link registrei - requer paciência, pois a massa, por levar muitos líquidos, demora também um pouco mais para assar. Observem que a receita produz um bolo com três camadas (assado em três assadeiras), mas eu preferi fazer um só. 
O melhor bolo de chocolate (nº 2)

(receita daqui)  - (rende cerca de 14 fatias)

Ingredientes

2 xícara de chá de farinha de trigo
2 xícaras de chá de açúcar
¾ de xícara de chá de manteiga em temperatura ambiente (macia)
¾ de xícara de chá de cacau em pó (sem açúcar)
½ colher de chá de sal
3 ovos
1 e 1/2 xícara de chá de leite
2 colheres de chá de essência de baunilha
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
¾ de colher de chá de fermento em pó

Preparo

    Unte com manteiga e forre com papel manteiga o fundo e os lados de três assadeiras redondas de 20 centímetros de diâmetro. Unte também o papel. Em uma tigela misture a farinha, o  cacau em pó, o bicarbonato de sódio, o fermento em pó, e o sal. Reserve esta mistura de lado.
     Na batedeira, bata a manteiga em velocidade média por 30 segundos. Aos poucos, adicione o açúcar ( 1/4 xícara de cada vez), batendo em velocidade média até que fique tudo bem combinado (3 a 4 minutos). De vez em quando desligue a batedeira e raspe os lados da tigela, empurrando as raspas para baixo; continue batendo em velocidade média por 2 minutos. Adicione os ovos, um de cada vez, batendo após cada adição (cerca de 1 minuto no total). Adicione a essência de  baunilha.    Alternadamente, adicione a mistura de farinha e o leite à mistura batida, batendo ainda, em velocidade baixa, apenas até que tudo fique combinado. Então, bata em média velocidade por mais 20 segundos. Espalhe a massa, uniformemente, nas assadeiras preparadas.
      Asse no forno a 180º C -  de 35 a 40 minutos - ou até que um palito de madeira inserido no centro dos bolos saia limpo. Depois de assados, tire os bolos do forno e deixe que esfriem  por 10 minutos. Tire os bolos das formas e tire o papel deles. Deixe que esfriem completamente sobre uma gradinha.

      Cobri o meu bolo com ganache de chocolate meio amargo, se você quiser fazer o mesmo veja a receita do ganache abaixo; a receita original indica outra cobertura). 


Ganache de chocolate
Ingredientes

300g de chocolate meio amargo (de boa qualidade) picado ou ralado (no lado “grosso” do ralador)

1 caixinha de creme de leite (200g)

Preparo

Misture os ingredientes e leve-os ao micro-ondas (ou ao banho-maria) até que o chocolate derreta completamente (mas, atenção: no microondas, o chocolate deve ser derretido a meia potência, em intervalos de 30 segundos, entre os quais deve-se mexer a mistura).



O Natal está chegando, minha gente! E eu já comecei a incorporar o espírito da época, experimentando uma primeira decoração de mesa, com o objetivo de testar o efeito desses belos trilhos, comprados recentemente. 



Quero usá-los em pelo menos uma ocasião, nessas festas 


Agora sim, devo voltar aqui com uma frequência talvez semanal ou menor, para mostrar os meus preparativos para o Natal. Mas nem preciso lembrar que aqui no blog há outras mesas natalinas, inclusive uma em prata, né? Há também muitas sugestões de pratos e outros itens natalinos, como embalagens de presentes. 
Pois então diverta-se pesquisando páginas com a tag Natal ou natalino/a.

É isso aí, até já!




quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Bolachas de mel e especiarias, para o Natal e o livro O Leopardo.


                nesta lata  vê-se dois tipos de bolachas: as de mel e especiarias e as 'Linzer' (recheadas)

Olá!
Já iniciei por aqui os testes com receitas de bolachas e biscoitos, com o intuito de escolher aquelas que irei fazer (para comer e presentear) no próximo Natal. Trago hoje uma nova receita de bolachas de mel e especiarias. Aqui no blog há outras tantas da mesma espécie, inclusive as famosas Speculatius - também chamadas de Speculaas e Speculaus e  as Pferffenüssen, que são bolachas alemãs de especiarias


Bolachas natalinas de mel e especiarias
(receita adaptada do livro Bolos artísticos, Festas e Butique)

Ingredientes

1/2 xícara de chá de manteiga (ou margarina de boa qualidade)
1/2 de xícara de chá de açúcar mascavo (comprimido na xícara)
1/2 xícara de chá de mel de abelhas
1 ovo
3 e 1/2 xícaras de chá de farinha de trigo
1 colher de chá de melado (opcional, caso não use acrescente mais 1 colher de chá de mel à receita)
1 colher de chá de gengibre em pó
1 colher de sobremesa de canela em pó
1/2 colher de chá de cravo em pó
1/2 colher de chá de pimenta da jamaica moída (ou outra especiaria à sua escolha, noz moscada ralada. por exemplo)
1 colher de sopa de café bem forte, já preparado (opcional)
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio (substituí por fermento em pó, porque não gosto do sabor residual do bicarbonato)
1/4 de colher de chá de sal

Preparo

Unte e enfarinhe umas três assadeiras grandes para biscoitos e reserve-as de lado. Bata a manteiga, o açúcar e o mel até formar um creme fofo. Adicione o ovo e bata novamente. Fora da batedeira, acrescente a farinha, as especiarias e os demais ingredientes. Misture tudo. Forme uma bola achatada com a massa, coloque-a dentro de um saco plástico e leve à geladeira por 1 hora (pelo menos). Sobre uma superfície enfarinhas vá abrindo aos poucos a amassa e cortando os biscoitos com cortadores  (mantenha o restante da massa na geladeira). Ligue o forno na temperatura de 180º C - com pelo menos 15 mintos de antecedência - para que ele esteja quente na introdução da primeira assadeira. Asse os biscoitos por cerca de 10 minutos (os meus demoraram mais). Espere que esfrie e decore-os com glacê real.

Nota: Não cobri os meus biscoitos com glacê, mas recomendo que façam isso. 


                                          esta lata de biscoitos já virou presente



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O  Leopardo - livro





Giuseppe Tomasi di Lampedusa, você conhece?

(O texto abaixo foi publicado por mim em, 2012, em meu blog de livros)


Comprei o livrinho O Leopardo (Il Gattopardo, no original), apenas porque mais ou menos havia iniciado a coleção dos volumes de um determinado ‘pacote’ de livros, que certa editora estava lançando,  mensalmente. Isso já faz uns 15 anos e até então desconhecia quem tinha sido Giuseppe T. di Lampedusa. 
Uma lida no prefácio, escrito por Giorgio Bassani, o homem que levou o livro a ser publicado, lá na Itália, me deixou curiosa, pois ele  se referia à obra como  a um achado raro.  Li o livrinho e me apaixonei por Lampedusa.  O enredo não tem nada demais: seria uma rememoração da vida do bisavô do autor, o príncipe Giulio Fabrizio di Salinas, que viveu intensamente o episódio da unificação do Estado italiano, fato ocorrido a partir da segunda década do século XIX. 
Ocorre que a gente percebe o entrelaçamento existente entre o personagem do livro e o próprio autor, como se este tivesse desejado mostrar simultaneamente o bisavô e a si mesmo. Além disso, há a descrição da vida da nobreza  italiana da época (Giulio Fabrizio di  Salinas, como Giuseppe Tomasi – posteriormente - foram ambos príncipes de Lampedusa, uma ilha pertencente à Sicília). E a descrição da vida da família do príncipe é muito interessante.  
                                     filme O Leopardo, dirigido por Luchino Visconti

A estória depois foi filmada (em 1963), por Luchino Visconti, com os atores Burt Lancaster, Alain Delon e Claudia Cardinale, e o filme consagrou-se como uma obra prima. Mas, voltando ao livro, a estória nos encanta pela descrição da vida da alta aristocracia italiana, como mencionei. Mas também nos prende devido ao tema, pois relata a decadência da classe dominante, que estava sendo então destronada pela burguesia nascente. Percebe-se - ainda que muitas vezes sutilmente - o estado melancólico do príncipe, que julga a sua classe e família já vencidas e suplantadas, pela classe ascendente. 
Quando toma conhecimento de que o seu amado sobrinho Tancredi de Falconeri vai se aliar aos - digamos - insurgentes, aliados de Garibaldi e "contra" a aristocracia (contra a própria família, portanto), o príncipe fica perplexo. 
Questionando as razões do “disparate” ao sobrinho, este, com agudeza de espírito, profere a frase que depois se tornaria famosa, no mundo inteiro, por explicar um dos modos de operar da aristocracia, para manter o seu status e os seus privilégios:


“É preciso que tudo mude, para que permaneça como sempre foi”. 


O príncipe então passa a apoiar o sobrinho, inclusive quanto à coligação que este faz com a  classe ascendente, ao casar-se com a filha de um dos seus expoentes (o velhaco, porém perspicaz e novo rico, Don Calogero Sedàra). A ironia é que a filha do príncipe, a jovem Concetta, sempre havia amado o primo Tancredi, com quem acreditava que viria a casar-se. Então temos um livro que nos oferece um tema histórico; reflexões sociais e políticas; interessantíssimas descrições sobre a vida aristocrática;  conflitos de valores e muito mais.

Todavia, o que me arrebatou, mais do que tudo, foi o amor do príncipe Salinas pelos cães. E o fato de ele atribuir aos sicilianos de então uma índole violenta, ignorante e, de certo modo, criminosa,  o que nos faz antever o espírito que geraria a máfia. Não obstante tudo isso, é perceptível o amor do príncipe pela Sicília.






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