sexta-feira, 3 de julho de 2020

Risoto de frango e o que tem rolado

Olá, minha gente,
Como estão aí no confinamento? Espero que muito bem, empregando o tempo em coisas que distraiam a mente dessa situação surreal, rsrs. Eu estou na mesma, lendo um pouco mais, cozinhando e buscando evitar os sentimentos negativos. 


Acho que já disse aqui que adoro fazer risotos, né? É um prato sofisticado e saboroso, que leva poucos ingredientes e é fácil de fazer. Os meus preferidos são os de açafrão e os vegetarianos: de abobrinha, aspargos, etc. Mas o povo aqui faz questão de ter uma carne na refeição principal do dia, por isso eu tenho feito muitas vezes o risoto de frango (mas não só de frango, claro) 


Risoto de frango
(rende até 8 porções generosas)

Ingredientes

1 peito de frango cortado em cubinhos e temperado a gosto (pode ser feito também com sobras de frango assado ou cozido)
500 gramas de arroz para risoto (arbório, carnaroli, vialone)
1 colher de sopa de óleo de cozinha
2  colheres de sopa de manteiga (e mais, se desejar um risoto mais encorpado)
1 cebola média picada
½ xícara (120 ml) de vinho branco seco
1 colher de sobremesa de colorau (opcional)
1 litro ou mais de caldo de galinha (você pode fazer antecipadamente o seu próprio caldo com a carcaça do peito, se comprar o peito com osso; caso opte pela praticidade, use o caldo em pó, industrializado: é só dissolve-lo conforme as instruções da embalagem)
Sal, se necessário
30 gramas de queijo parmesão ralado, para o preparo + 30 gramas para servir com o risoto (ou a gosto)
Cebolinha verde picada

Preparo

Mantenha o caldo de galinha aquecido, em fogo baixo. Aqueça o óleo e a manteiga numa panela de fundo grosso e tamanho médio. Frite os cubinhos de frango (já temperados), até que dourem (uma boa pitada de açúcar apressa o processo). Acrescente a cebola picada e frite tudo. Junte o arroz (não se deve lavá-lo!) e o vinho e vá mexendo tudo até que o vinho evapore. Então vá juntando o caldo, concha a concha, mexendo sempre, para que o arroz solte o amido e fique cremoso e também para que não grude no fundo da panela, até que o arroz esteja cozido (al dente). Acrescente a primeira parte do queijo e mexa para que derreta. Corrija o sal, se necessário (adicione mais 1 colher de sopa de manteiga, se desejar) Sirva com a cebolinha e o restante do queijo. E lembre-se de que o risoto tem que ficar úmido!  

                                                            🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹

E estando com a família em volta, a gente sempre acaba cozinhando mais, especialmente os pratos preferidos de cada um (o que pode resultar num engordamento coletivo por cá, mas parece que isso não tem sido assim tão exagerado não, rsrs).
De qualquer modo, eu tenho feito também mais pão do que fazia antes, como muita gente por aí (aqui no blog eu já postei inúmeras receitas de pão).

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E nos fins de semana, tenho feito pudim de leite com frequência, porque é a sobremesa preferida do meu marido.


                                                         
Imagens Aleatórias

Também continuo tirando fotos aleatórias, com o objetivo talvez de melhorar como fotógrafa.

brinco de princesa (plantinha mimosa)

                                                      coléus (folhas de colorido magnifíco)

Bellita ao piano (treinando)


Sobre a leitura



Eu havia dito, num post  recente, que pensei em analisar – e comentar aqui -  os livros que leio (e  até os já resenhados) sob um viés mais realista. E isso porque acredito, realmente, que a literatura pode mudar uma pessoa; pode melhorar bastante o entendimento que ela tem do mundo e até de si mesma.
Para que isso aconteça é preciso que a leitura seja feita com cuidado e atenção. E de forma analítica e crítica. Se nos deparamos, por exemplo, com estórias de pessoas ricas e poderosas, temos que nos perguntar a origem da riqueza e do poder das tais pessoas (o autor da narrativa talvez não o faça, ou faça  parcialmente, que é o mais comum). Se o livro nos fala de pessoas pobres e deamparadas (ou ‘Humilhados e Ofendidos’, como as chamou Dostoiévski, rsrs) temos que buscar a explicação para essa condição também.  
De qualquer modo, a literatura nos fala sobre vidas e experiências que se situaram dentro de um período de tempo, com os seus costumes, suas leis  e tradições. E isso nos faz ver como era a vida então. Nos livros da inglesa Jane Austen, por exemplo, que viveu no século XVIII,  a gente pode ver que a condição das mulheres estava longe de ser a melhor, ainda que se tratasse de mulheres de famílias abastadas.  
É que, naquele tempo, as mulheres não tinham nenhuma autonomia, passavam da subordinação ao pai para a subordinação ao marido, quando casavam. E não tinham praticamente nenhum direito (a lei proibia – por exemplo - que elas recebessem herança, e caso algum pai, possuidor de bens, transferisse patrimônios para as filhas, estes passavam automaticamente ao marido, se elas se casassem).
Os empregos remunerados eram mal vistos para mulheres, e só eram tolerados às mulheres realmente necessitadas. Mulheres de classe média baixa podiam ‘tocar’ um armarinho ou uma papelaria, mas mesmo essas ocupações eram desencorajadas (e não agregavam status nenhum às pessoas que as desempenhavam).  
De resto, a educação feminina era pobre e básica porque se considerava que as mulheres não tinham capacidade intelectual suficiente, ou eram muito inferiores aos homens, nessa área. No entanto, as heroínas de Jane Austen eram inteligentes e capazes de tirar proveitos de situações adversas e restritivas. Elas procuravam se educar do modo que podiam, observando os homens, especialmente pais e irmãos. Se moravam em casa com biblioteca, procuravam ler de forma contínua e sistemática. 
Elas também buscavam a felicidade e a segurança econômica em casamentos ‘sensatos’ em que houvesse, senão amor, ao menos estima, pelo homem escolhido. Esse tipo de casamento não era – nem de longe – o mais comum naqueles anos.  
Então... temos que estar atentos a todas essas coisas, para não correr o risco de não aproveitar a leitura plenamente.
                                                               🍁
E é só, para o momento, até breve!



domingo, 14 de junho de 2020

Torta de limão e Merengue e o que rolou nos últimos dias....



Olá, queridos leitores, como passaram esses últimos dias? Espero que muito bem, apesar de tudo. A "quarentena" nos desafia, sei disso, ansiedade e angústia ficam como que à espreita, prontas para se arremeterem contra as nossas almas... mas nós haveremos de vencê-las até o fim, mantenham-se firmes!  

Para 'variar' eu achava que já havia aqui no blog a receita desta torta de limão, que eu chamo de 'torta de limão brasileira' ou 'torta de limão e leite condensado'. Descobri que não há e achei isso muito estranho, pois sempre a fiz, rsrs. Hoje ela figurou por cá como bolo de aniversário, porque foi o doce escolhido pelo aniversariante. A receita longa desta torta leva a gente a imaginar que ela seja de preparo difícil, mas isso é um engano, pois se trata de uma sobremesa fácil de fazer. Ela também fica glamourosa e costuma agradar a 'gregos' e 'troianos', que são boas razões para a gente fazê-la, né? rsrs. 




Torta de limão e Merengue (com leite condensado)
(esta é a receita da Nestlé, que eu já a alterei em vários pontos)
Massa:
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
4 colheres (sopa) de manteiga
meia lata de creme de leite
1 colher (chá) de fermento em pó
1 colher (sopa) de açúcar (opcional, acréscimo meu)
Recheio:
1 lata ou caixinha (395g) de leite condensado 
6 colheres (sopa) de suco de limão
meia lata de creme de leite
1 colher (sopa) de raspas da casca de limão
Merengue (do tipo italiano, na receita da Nestlé o merengue é outro, mais simples e mais econômico, mas este é mais estável e rende bem)
Ingredientes
2 xícaras de açúcar
160 gramas de claras de ovos (são cerca de 6 claras)
1 xícara de água
1 colher de chá de suco natural de limão (opcional)
Pitada de cremor de tártaro (opcional)
raspas da casca de limão para decorar a torta (opcional), usei um 'zester' para fazer as minhas 'raspas'*
Preparo:
Massa: Misture os ingredientes numa tigela, amassando tudo com um amassador ou com as pontas dos dedos. Faça uma bola com a massa, envolva-a com filme plástico e leve a bola à geladeira, por 30 minutos. Ligue o forno em temperatura alta (200ºC). Abra a massa sobre superfície ligeiramente enfarinhada e estenda-a numa forma para torta, de fundo falso (de 24 cm de diâmetro), cobrindo o fundo e as laterais da forma. Fure a massa com um garfo (para que ela não inche) e leve-a ao forno (preaquecido) por 20 minutos. Depois de assada, reserve a massa na forma.  
Recheio:
Numa tigela, misture os ingredientes do recheio e espalhe o mesmo na crosta assada da torta. 
Cobertura:
Merengue Italiano
Preparo:
Numa panela, de fundo grosso, misture a água e o açúcar. Leve a panela ao fogo médio e continue mexendo até que o açúcar dissolva totalmente (é coisa rápida, não mexa demais, ou a calda açucara!). Assim que o açúcar dissolver, pare imediatamente de mexer e deixe que a calda cozinhe até que atinja a temperatura de 120ºC, mais ou menos (se você não tiver um termômetro para doce, teste o ponto da calda, jogando uma colherinha dela em um pires de água fria. Se você conseguir pegar a massinha que se forma na água, com as pontas dos dedos – uma bolinha mole – está no ponto). Caso a calda se espalhe pelas paredes da panela e comece a cristalizar, passe um pincel culinário molhado em água limpa nos cristais, para dissolvê-los.
Enquanto a calda cozinha, ponha as claras na tigela da batedeira – que deve estar muito limpa. Bata as claras até que elas formem picos moles, acrescente o cremor de tártaro e o suco de limão e bata mais um pouco. Quando a calda chegar ao ponto, despeje-a sobre as claras em neve (picos ainda meio moles), com a batedeira ligada, em velocidade média. Deixe que a mistura bata até amornar. Empregue o merengue na torta. Use um saco de confeitar, se preferir. (queimei o meu merengue, ligeiramente, com um maçarico; você pode conseguir o mesmo efeito deixando a torta no forno baixo - 160ºC - preaquecido, por uns 15 minutos).
Zester é um utensílio de cozinha que serve para raspar as cascas das frutas cítricas. Diferentemente do ralador, ele produz umas tirinhas da casca dessas frutas.  

E o que tem rolado?

Com tanto tempo livre, tenho fotografado e lido um pouco mais do que o normal. Nos últimos dias tirei muitas fotos aleatórias, apenas para testar a luz e os ângulos dos objetos. Nem saberia como classificá-las. Estas abaixos - de cantos e coisas daqui de casa - são algumas delas...







De resto, como mencionei, tenho lido bastante. Pensei, inclusive, em inaugurar uma nova seção aqui no blog, em que eu faria resenhas dos livros que leio (e também dos já resenhados) sob um viés mais profundo e realista. Iria comentar ... por exemplo... a frase dita pelo almirante Croft, na estória escrita pela britância Jane Austen, Persuasão (capítulo 8; livro resenhado aqui). A frase é a seguinte:...."Se tivermos a sorte de viver para testemunhar outra guerra..."
Alguém pode perguntar como que testemunhar uma guerra pode ser um golpe de sorte. Mas só perguntaria isso, pessoas que não sabem que as guerras, muitas vezes, são instrumentos usados para conquistar terras e bens, poder e supremacia sobre outros povos. 
Em Persuasão, Frederick Wentworth, o amor da vida de Anne Elliot, a 'heroína', é dispensado por ela por não ter fortuna nem família com ligações sociais importantes. É verdade que a moça não tomou a decisão de dispensar o rapaz por si mesma, e sim levada pelo conselho de sua mentora, lady Russel. Mas o notável, é que sete anos depois Frederick Wentworth reaparece numa situação econômica e social muito diferente. Nos entrementes, ele havia participado de uma das guerras navais britânicas, dos tempos napoleônicos, e essa empreitada fez dele um homem rico e um militar condecorado. São coisas para se pensar, né? Mas eu não sei se levarei essa tarefa adiante.
E é só para o momento, mas espero voltar em breve.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Bolo Intenso de Chocolate (no dia das mães de 2020) e o livro: Memórias Póstumas de Brás Cubas


                      o bolinho claro, na faixa de acetato, eu ganhei de uma das minhas filhas

a massa úmida - do bolo intenso de chocolate - acaba 'sujando' o recheio cremoso e claro (brigadeiro branco com chocolate branco), no momento do corte.



Olá, queridos leitores, como têm passado? Espero que todos estejam se mantendo bem - física e emocionalmente - nesse período de reclusão. 

Tenho que admitir que para mim as coisas não mudaram muito, devido à nova conjuntura, rsrs. Mesmo assim, com a família em casa, ajudando nos trabalhos domésticos, tem me sobrado um tempinho, que venho procurando empregar em leitura e coisas do gênero. 

Como sobremesa, para o dia das mães, eu quis preparar este bolo de chocolate (quando comecei a fazê-lo eu ainda não sabia que minha filha Bellita tinha encomendado o bolinho claro, para me dar de presente, rsrs). 

Este bolo - 'pretinho', intensamente chocolático e úmido - é uma variação de pelo menos outros dois, que já postei aqui no blog. Esta receita, no entanto, é mais prática, porque as medidas são mais redondas e o preparo mais simples.  Ela foi postada pela chef Paola Carosella, meses atrás, e tem feito muito sucesso, desde então. Mas eu ousei fazer uns ajustinhos nela, para que o bolo ficasse mais de acordo com o nosso paladar (acho que na receita original ele leva sal e bicarbonato demais, por exemplo). 

Bolo intenso de chocolate

 Ingredientes: 

220g de farinha de trigo comum 
100g de cacau em pó
1 colher de chá de sal fino (coloquei apenas 1/2 colher de chá)
 2 colheres de chá de bicarbonato de sódio (coloquei 1 colher de bicarbonato de sódio)
1 colher de chá de fermento em pó (coloquei 2 colheres de chá, para compensar a colher de bicarbonato que tirei)
400 g de açúcar 
2 ovos 
1 colher de chá de extrato de baunilha 
200g de iogurte natural 
100g de óleo vegetal 
225ml de água quente 

2 formas de 20 cm (usei 3 formas de 17 cm de diâmetro)


 Preparo

Unte as formas com manteiga (ou com spray desmoldante). Forre o fundo de cada uma delas com papel manteiga e unte o papel também (para isso, você precisa cortar, antes, 3 círculos de papel manteiga na medida do diâmetro do fundo das formas). Ligue o forno a 160º C .

Misture todos os ingredientes secos numa tigela (farinha, cacau, sal, bicarbonato, fermento em pó e açúcar)

Em outra tigela misture os ingredientes úmidos: menos a água quente. Junte o conteúdo das 2 tigelas, adicionando então a água quente. MIsture - girando o fouet sempre para o mesmo lado - até homogeneizar tudo. Distribuia a massa nas 3 formas preparadas e leve-as ao forno. Deixe que os bolos assem por mais ou menos 35 minutos (as minhas massas demoraram mais, cerca de 1 hora). 

Livro: Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis
(não farei resenha da estória, pelo motivo alegado abaixo)



Estive limpando os livros de nossa biblioteca recentemente. Ao pegar o volume "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, tive vontade de relê-lo (porque para mim este livro é uma das provas do adultério de Capitu, a personagem mais polêmica do autor, protagonista do romance Dom Casmurro). 
É que aqui vemos, de novo, uma mulher adúltera desembaraçando-se com relativa tranquilidade de todas as situações em que o marido dela esteve a ponto de apanhá-la no delito. Para mim isso prova que o autor tinha uma certa ... fixação, na questão do adultério feminino.

Porém a passagem que me chamou a atenção, nessa nova leitura, foi esta abaixo (trecho do capítulo CXXVI - Desconsolação) em que se discute a epidemia que estava assolando o Brasil no século XIX, a febre amarela:

"Vejam agora a que excessos pode levar uma inadvertência; doeu-me um pouco a cegueira da epidemia que, matando à direita e à esquerda, levou também uma jovem dama, que tinha de ser minha mulher; não cheguei a entender a necessidade da epidemia, menos ainda daquela morte. Creio até que esta me pareceu ainda mais absurda que todas as outras mortes. Quincas Borba, porém, explicou-me que epidemias eram úteis à espécie, embora desastrosas para uma certa porção de indivíduos; fez-me notar que, por mais horrendo que fosse o espetáculo, havia uma vantagem de muito peso: a sobrevivência do maior número.   



domingo, 12 de abril de 2020

Páscoa de 2020 e ainda ... mais algumas coisas sobre o feminismo


coloquei esta flor grande em cima do bolo-ovo apenas porque ela é uma vela; as florezinhas e borboletas são comestíveis.

quis fazer as bolachinhas de polenta (ou fubá, como foi dessa vez) com um aspecto pascal, mas não obtive muito sucesso porque elas crescem muito, quando assam, e isso deforma o desenho 'impresso' 


ovos já comprados decorados

E aí, amigos, como foi a Páscoa de vocês?

Aqui não foi lá essas coisas, por causa do confinamento. Ainda assim, eu tratei de me lembrar dos significados mais profundos desse evento, que nos diz tanto sobre renovação da fé e da esperança, que é coisa muito importante, especialmente na atual circunstância, que parece até pré-apocalíptica.


Eu fiz - de novo - potes para acondicionar ovinhos e outros guloseimas, que é um artesanato muito fácil de fazer e já mostrado aqui no blog. Basta colar um coelhinho de plástico na tampa de um pote limpo e enchê-lo de docinhos. 


Desde fevereiro eu estava querendo fazer um bolo em formato de ovo (aqui, no blog, em 2012 - já apareceram - pioneiramente, na web! - bolos clássicos - com massa, recheio e cobertura - em formato de ovos de Páscoa. 

Neste ano eu quis fazer algo diferente, então saiu o 'bolo' da foto acima, que seria um bolo de palha italiana, mas que pode ser também um ovo de Páscoa com recheio de  palha italiana, rsrs.   


E fiz hoje - num improviso de última hora - um bacalhau no leite de coco, que eu não consegui fotografar. 

O texto abaixo, sobre o feminismo - era um complemento do primeiro texto sobre o tema que publiquei um tempo atrás. Ele ficou como 'post em rascunho' e eu hoje resolvi publicá-lo. 


Desde que irrompeu no mundo a crise político-econômica, em decorrência da crise financeira de 2008, que reverberou no Brasil a partir de 2012, passou a ser comum o aparecimento de mulheres que gritam – a plenos pulmões – que odeiam o feminismo e não se identificam com ele. E se proclamam ‘femininas’, e não feministas.

Hoje vemos claramente que essa atitude foi imposta a essas mulheres por grupos que têm interesse na causa, ou seja, grupos que, sobretudo devido à revolução tecnológica, em curso desde os anos 80 (mas muito mais efetiva dos anos 90 a 2000), somada à crise econômica, que  resultou - em todo o mundo - na atual crise de empregos, desejam que as mulheres voltem à condição de dependentes econômicas. O motivo disso é que, aparentemente, em muitos países, não haverá – a curto prazo, pelo menos – empregos sequer para os homens, que dirá para mulheres.

 No entanto, a possibilidade de manipular as circunstâncias de vida das mulheres despertou em alguns homens um forte desejo de que elas voltem a ser – não apenas dependentes – mas subalternas e também – e principalmente – de que os valores delas voltem a ser definidos por eles. 

Aqui eu tenho que abrir um parênteses para esclarecer – mais uma vez – que o verdadeiro feminismo não objetiva, de modo algum, jogar as mulheres contra os homens e colocá-los em lados opostos.

Os homens são os nossos parceiros de vida, são os nossos parceiros amorosos... e são pessoas que têm peculiaridades importantes e preciosas. Uma mulher inteligente jamais irá se colocar gratuitamente como adversária dos homens. Por que deveria? 
Tampouco se colocará como uma criatura brava, sempre pronta a exigir coisas deles ... qual seria o sentido disso? 

Os, homens, aliás, um dia são crianças, nossos filhos, cabendo a nós educá-los para um mundo mais justo, em que eles também possam expressar a própria vulnerabilidade, e viver uma vida mais leve e feliz.

                                                                (imagem da Internet)
                                                 
Então, o que vem a ser o feminismo?

É pura e simplesmente o reconhecimento de que homens e mulheres são seres dotados da mesma dignidade e, portanto, com direitos iguais, naquilo que é cabível.

Durante muito tempo os homens definiram não apenas as mulheres, mas as circunstâncias todas, que diziam respeito a elas. E, acreditem, não foi um tempo favorável a nós. Estivemos, por séculos, afastadas da maioria absoluta dos direitos dos quais desfrutamos hoje, como, por exemplo, o direito à educação, à propriedade e ao voto.

                                      (Elizabeth Cady Stanton)

Em 1848, numa convenção realizada na cidade de Seneca Falls, Nova York (foi a primeira convenção para se tratar dos direitos das mulheres), a  norte americana, Elizabeth Cady Stanton (foto acima), fez a seguinte declaração:

“A história da humanidade é uma história de ferimentos e usurpações repetidas, por parte do homem, com relação à mulher, tendo como objetivo direto o estabelecimento de uma tirania absoluta sobre ela”.  

Declaração tensa, né? Pois um ligeiro exame na história nos revela que  - infelizmente - a coisa foi assim mesmo.

Tendo dito a frase acima, Elizabeth Cady Stanton enumerou as ações, amparadas em costumes e leis, que visavam impedir que as mulheres gozassem de autonomia e de liberdade (citarei só algumas):
  1. ·     As mulheres casadas não existiam perante as leis (todos os direitos delas, por assim dizer, recaiam sobre o marido).
  2. ·    As mulheres não eram autorizadas a votar
  3. ·   Os maridos tinham poder legal e total responsabilidade por suas esposas (podiam, inclusive, aprisioná-las ou espancá-las ... impunemente).
  4. ·    As leis de divórcio e guarda dos filhos favoreciam apenas aos homens (eles é que podiam pedir o divórcio, e a guarda dos filhos era direito exclusivo deles)
  5. ·   A maioria das ocupações - fora do lar - estava fechada para as mulheres e, quando as mulheres executavam serviços não domésticos, recebiam apenas uma fração do que os homens ganhavam.
  6. ·     Não era  permitido às mulheres ingressar em profissões como medicina ou direito
  7. ·     As mulheres não tinham meios de obter educação plena, uma vez que nenhuma faculdade ou universidade aceitava mulheres estudantes

É importante lembrar que nenhum dos direitos femininos foi dado às mulheres espontaneamente. Todos exigiram lutas. A própria Elizabeth Cady Stanton, foi execrada, exposta e ridicularizada, antes de ser, finalmente, levada à sério.

E o argumento de que não precisamos MAIS do feminismo porque já conquistamos o que queríamos, e chegamos aos mesmo patamares dos homens NÃO se sustenta. Primeiramente, porque as atuais estatísticas de abusos e violências contra as mulheres nos dizem que ainda estamos longe de alcançar uma situação que seja pelo menos tolerável, para as mulheres. 
E o fato de haver surgido - recentemente - um movimento (coordenado por homens, naturalmente) que visa desacreditar o feminismo e afastar as mulheres dele é bastante significativo, sobre a necessidade que ainda temos desse movimento.  

É isso aí! até breve!

quarta-feira, 25 de março de 2020

Bolo Prestígio para um aniversário e o que tem rolado nesses dias de isolamento




Olá, queridos leitores, como têm passado?  Espero que todos estejam bem e livres de vírus traiçoeiros, rsrs. 

Por falar em vírus, tenho produzido muito, nesses dias de isolamento.  O bolo das fotos acima eu fiz para a celebração do aniversário de uma irmã, que já estava em quarentena. Não houve festa, como entendemos uma festa, mas a família fez com que ela recebesse o bolo e outras coisinhas, que serviram para que a data não fosse passada em branco. 

A receita deste bolo, que desta vez foi feito duas vezes e coberto com uma ganache alisada, foi postada aqui. Você pode fazer - se preferir simplificar - uma massa só (esta! do bolo Nega Maluca vapt-vupt) e distribuí-la em três formas de 17 centímetros de diâmetro. No restante você segue a receita do primeiro link. 

Com a família em casa (exceto o 'homi' da casa que, sendo profissional da área de saúde, também se encontra na labuta anti coronavírus), nesse início de outono chuvoso e muitas vezes frio, há que fazer pratos variados, para alimentar a turba. E é por isso que têm saído coisas como estas tortas (de frango, receita aqui!), estes brigadeiros e outros... que não aparecem neste post, rsrs. 

 
                             esta torta também foi preparada como uma sugestão para a Páscoa 


Também tenho me ocupado com jardinagem e - é claro- leitura. Terminei de ler o Dois irmãos, do Milton Hatoum e iniciei o À margem da história, do Euclides da Cunha.
Euclides da Cunha é um autor que me fascina, tanto o homem quanto o escritor. Falei dele, indiretamente, no texto abaixo, que escrevi - anos atrás -  para o meu blog de livros. 


Livro: O Pai, de Dirce de Assis Cavalcanti


Acabei de ler um livro que me chegou às mãos casualmente. Trata-se de O Pai, de Dirce de Assis Cavalcanti. 

Muito me surpreendi com o teor do livro, e sobretudo com o talento literário da autora. Ela vem a ser, imaginem só, filha do militar Dilermando de Assis, o homem que matou o escritor Euclides da Cunha.

Narrando sua estória, Dirce de A. Cavalcanti nos expõe a tragédia em que seu pai esteve envolvido, e a forma como isso o afetou posteriormente, bem como à nova família constituída por ele. Ela nasceu de um casamento contraído por Dilermando de Assis, depois que ele se separou de Ana, ex-mulher de Euclides da cunha, e pivô da desgraça que sobreveio aos dois homens.

Tencionando ingenuamente poupar a menina, Dilermando e a mãe dela se calaram sobre os fatos concernentes ao passado dele, uma vez que ele fora absolvido do crime em que esteve envolvido. A menina, porém, acaba por descobrir (através de uma coleguinha de escola, e da pior forma possível), os eventos ocorridos na juventude de seu pai. E a estória de Dilermando nos prova, mais uma vez, que a vida é, e sempre será, mais complexa e surpreendente que qualquer obra de ficção.

Dilermando de Assis conheceu Ana da Cunha, quando ele tinha dezessete anos, por ser ela, então, vizinha e amiga de suas tias. Recém-ingresso na vida militar, ele era um rapagão alto, loiro, de olhos azuis, campeão nacional de esgrima, de salto em vara e tiro ao alvo. Pouco depois de conhecê-la, Dilermando, as tias e Ana, se tornam vizinhos num edifício em que a proprietária, madame Monat, alugava apartamentos para famílias. E aí é que a 'coisa' entre eles se inicia pois Ana, no vigor dos trinta e poucos anos, passava longos períodos sozinha (com o filho dela com Euclides), enquanto seu marido famoso se ausentava, às voltas com seu trabalho (ele era engenheiro), suas viagens e pesquisas.

Ana e Dilermando se apaixonam ela engravida, quer se separar de Euclides mas este não lhe concede a separação. O bebê gerado por Ana e Dilermando morre com poucos dias de nascido (mais tarde ela diria que o marido o afastou dela, impedindo-a de amamentá-lo). O casal de amantes, no entanto, a despeito das adversidades que se interpõem entre eles (a furiosa oposição do marido dela; a transferência dele para uma escola militar no Sul, etc.), continua se encontrando e ela dá à luz a outro filho de Dilermando. Euclides registra a criança como seu filho, no intento, talvez, de por um fim definitivo, na relação extra-conjugal da mulher. O casamento dos dois, porém, se tornara impossível e, depois de conflitos e discussões terríveis, ela deixa a casa do marido, com os dois filhos - o dele e o do amante - e vai morar com este, na casinha em que ele estava residindo com o irmão. 
Euclides descobre o endereço da casa e irrompe no local disposto a matar ou morrer. Ali ele é atendido à porta pelo irmão do jovem militar, em quem atira (o rapaz sobrevive mas, tornando-se inválido, comete o suicídio poucos anos depois). Dilermando também é alvejado (várias vezes) e, para se defender, dá dois tiros em Euclides, um deles, fatal.
Posteriormente a viúva se casa com o jovem amante e tem outros filhos com ele, mas, alguns anos depois, o filho que ela tivera com Euclides procura vingar a morte do pai, disparando um tiro - pelas costas - no novo marido de sua mãe. Este, que se encontrava na ocasião, num cartório, no Rio de Janeiro, reage e mata também o seu agressor. Segue-se a isso, a separação do casal.

Passado alguns anos, Dilermando se junta à mãe de Dirce, a autora do livro a que ora nos referimos. E escreve também a sua versão dos fatos, narrada na obra A tragédia da PiedadeEuclides da Cunha, não é preciso dizê-lo, é o autor de Os Sertões tido como um dos maiores livros já escritos por um brasileiro.


E é isso aí... até a próxima! 



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