Olá, queridos leitores, como têm passado? Espero que todos estejam bem e livres de vírus traiçoeiros, rsrs.
Por falar em vírus, tenho produzido muito, nesses dias de isolamento. O bolo das fotos acima eu fiz para a celebração do aniversário de uma irmã, que já estava em quarentena. Não houve festa, como entendemos uma festa, mas a família fez com que ela recebesse o bolo e outras coisinhas, que serviram para que a data não fosse passada em branco.
A receita deste bolo, que desta vez foi feito duas vezes e coberto com uma ganache alisada, foi postada aqui. Você pode fazer - se preferir simplificar - uma massa só (esta! do bolo Nega Maluca vapt-vupt) e distribuí-la em três formas de 17 centímetros de diâmetro. No restante você segue a receita do primeiro link.
Com a família em casa (exceto o 'homi' da casa que, sendo profissional da área de saúde, também se encontra na labuta anti coronavírus), nesse início de outono chuvoso e muitas vezes frio, há que fazer pratos variados, para alimentar a turba. E é por isso que têm saído coisas como estas tortas (de frango, receita aqui!), estes brigadeiros e outros... que não aparecem neste post, rsrs.

esta torta também foi preparada como uma sugestão para a Páscoa
Também tenho me ocupado com jardinagem e - é claro- leitura. Terminei de ler o Dois irmãos, do Milton Hatoum e iniciei o À margem da história, do Euclides da Cunha.
Euclides da Cunha é um autor que me fascina, tanto o homem quanto o escritor. Falei dele, indiretamente, no texto abaixo, que escrevi - anos atrás - para o meu blog de livros.
Livro: O Pai, de Dirce de Assis Cavalcanti
Acabei de ler um livro que me chegou às mãos casualmente. Trata-se de O Pai, de Dirce de Assis Cavalcanti.
Muito me surpreendi com o teor do livro, e sobretudo com o talento literário da autora. Ela vem a ser, imaginem só, filha do militar Dilermando de Assis, o homem que matou o escritor Euclides da Cunha.
Narrando sua estória, Dirce de A. Cavalcanti nos expõe a tragédia em que seu pai esteve envolvido, e a forma como isso o afetou posteriormente, bem como à nova família constituída por ele. Ela nasceu de um casamento contraído por Dilermando de Assis, depois que ele se separou de Ana, ex-mulher de Euclides da cunha, e pivô da desgraça que sobreveio aos dois homens.
Tencionando ingenuamente poupar a menina, Dilermando e a mãe dela se calaram sobre os fatos concernentes ao passado dele, uma vez que ele fora absolvido do crime em que esteve envolvido. A menina, porém, acaba por descobrir (através de uma coleguinha de escola, e da pior forma possível), os eventos ocorridos na juventude de seu pai. E a estória de Dilermando nos prova, mais uma vez, que a vida é, e sempre será, mais complexa e surpreendente que qualquer obra de ficção.
Dilermando de Assis conheceu Ana da Cunha, quando ele tinha dezessete anos, por ser ela, então, vizinha e amiga de suas tias. Recém-ingresso na vida militar, ele era um rapagão alto, loiro, de olhos azuis, campeão nacional de esgrima, de salto em vara e tiro ao alvo. Pouco depois de conhecê-la, Dilermando, as tias e Ana, se tornam vizinhos num edifício em que a proprietária, madame Monat, alugava apartamentos para famílias. E aí é que a 'coisa' entre eles se inicia pois Ana, no vigor dos trinta e poucos anos, passava longos períodos sozinha (com o filho dela com Euclides), enquanto seu marido famoso se ausentava, às voltas com seu trabalho (ele era engenheiro), suas viagens e pesquisas.
Ana e Dilermando se apaixonam ela engravida, quer se separar de Euclides mas este não lhe concede a separação. O bebê gerado por Ana e Dilermando morre com poucos dias de nascido (mais tarde ela diria que o marido o afastou dela, impedindo-a de amamentá-lo). O casal de amantes, no entanto, a despeito das adversidades que se interpõem entre eles (a furiosa oposição do marido dela; a transferência dele para uma escola militar no Sul, etc.), continua se encontrando e ela dá à luz a outro filho de Dilermando. Euclides registra a criança como seu filho, no intento, talvez, de por um fim definitivo, na relação extra-conjugal da mulher. O casamento dos dois, porém, se tornara impossível e, depois de conflitos e discussões terríveis, ela deixa a casa do marido, com os dois filhos - o dele e o do amante - e vai morar com este, na casinha em que ele estava residindo com o irmão.
Euclides descobre o endereço da casa e irrompe no local disposto a matar ou morrer. Ali ele é atendido à porta pelo irmão do jovem militar, em quem atira (o rapaz sobrevive mas, tornando-se inválido, comete o suicídio poucos anos depois). Dilermando também é alvejado (várias vezes) e, para se defender, dá dois tiros em Euclides, um deles, fatal.
Posteriormente a viúva se casa com o jovem amante e tem outros filhos com ele, mas, alguns anos depois, o filho que ela tivera com Euclides procura vingar a morte do pai, disparando um tiro - pelas costas - no novo marido de sua mãe. Este, que se encontrava na ocasião, num cartório, no Rio de Janeiro, reage e mata também o seu agressor. Segue-se a isso, a separação do casal.
Passado alguns anos, Dilermando se junta à mãe de Dirce, a autora do livro a que ora nos referimos. E escreve também a sua versão dos fatos, narrada na obra A tragédia da Piedade. Euclides da Cunha, não é preciso dizê-lo, é o autor de Os Sertões tido como um dos maiores livros já escritos por um brasileiro.
E é isso aí... até a próxima!





















