sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Pão de leite asiático (tangzhong milk bread) e ...

                                              



     Olá, queridos leitores, como têm passado? 

Hoje eu trouxe pra vocês o tangzhong, técnica asiática para tornar os pães mais macios e que contribui também para aumentar a - digamos - durabilidade deles. Há controvérsias sobre a origem desse método, os japoneses o usam tanto, e há tanto tempo, que pães feitos assim são conhecidos por 'Hokkaido milk bread' ou ''Japanese milk bread'. Mas os chineses alegam que a ideia foi deles.

A técnica consiste em cozinhar uma pequena quantidade da farinha da receita, e depois acrescentar a papa resultante ao restante dos ingredientes. A papa hidrata a massa, tornando os pães mais macios e ‘desfientos’, o ideal do pão fofo!

Para fazer o tangzhong você tem que pegar a porção de farinha (é bom que seja pequena, porque a papa rende muito), por exemplo, 1/4 de xícara de farinha e misturá-la com o equivalente a 5 vezes o peso da farinha em leite ou água (1 parte de farinha - em gramas - para 5 partes - em gramas - de líquido. Se o peso da farinha for 30 gramas, por exemplo, o líquido terá que pesar 150 gramas, sacou? rsrs. 

Bom, tendo misturado a farinha com o leite, numa panelinha, você leva a mistura a cozinhar, (eu mexo o tempo inteiro, para não empelotar), até que a mistura engrosse. Convém que a temperatura da papa, durante o cozimento, não ultrapasse os 65ºC. Mas se você não tiver um termômetro, apenas observe a consistência da mistura, começou a engrossar? dá pra riscar um linha com o dedo, nas 'costas' da colher? está bom. Depois espere que a papa amorne (ou esfrie) e acrescente-a aos demais ingredientes, seguindo com a receita conforme as instruções dadas.

Inicialmente é bom que você utilize receitas que já indiquem as medidas exatas de ingredientes e tangzhong. Mas com o tempo e a experiência, você descobrirá como ajustar as suas receitas favoritas ao acréscimo do tangzhong. Você perceberá também que há que se ter cuidado, porque o tangzhong deixará a massa muito mais 'molhada' (o que, feito de forma irrefletida, exigirá um acréscimo de farinha à receita, que é algo que você não deseja, não é?). Veja que esta técnica é para pães macios, e não combina com pães que têm que resultar crocantes. Veja abaixo o videozinho de Bellita mostrando o quanto o pãozinho fica macio. 


Pãezinhos de leite japoneses – Hokkaido milk bread

(receita daqui)


Ingredientes

Tangzhong

92 gramas de leite

18 gramas – bem pesadas – de farinha de trigo

 

Massa

149 gramas de leite morno

2 colheres (sopa) de açúcar

2¼ colher de chá fermento seco ativo para pão

343 gramas de farinha de trigo

1 colher (chá) de sal

1 ovo grande, à temperatura ambiente

1 colher de sopa de manteiga sem sal, amolecida


Para pincelar sobre os pães

1 ovo, levemente batido

 

Instruções

Ative o fermento : em uma tigela pequena, adicione o leite morno, o açúcar e o fermento. Mexa e deixe descansar por 10 minutos. Isso é para ativar o fermento.

Tangzhong : Em uma panela pequena, em fogo médio baixo, misture o leite e a farinha. Mexa até obter a consistência de uma papa grossa. Demora alguns minutos. Ele está pronto quando a temperatura for 40 ° C ou as listras permanecerem visíveis (ignorei temperatura e ‘listras’ no mingau, mas não deixei que cozinhasse em alta temperatura nem que fervesse). Separe e deixe esfriar.

Faça Massa : Em uma tigela grande, misture a farinha e o sal. Acrescente o ovo à mistura de fermento e o tangzhong. Mexa até que misturem.

Amassar : Se for amassar à mão , vire sobre uma superfície de trabalho e sove por 5 minutos. Pode ser necessário manter a superfície de trabalho e a massa levemente enfarinhadas, se a massa estiver muito pegajosa. Adicione a manteiga e continue a amassar até que a manteiga esteja bem incorporada por mais 7 a 10 minutos. Se estiver usando uma batedeira (tem que ser com o batedor em forma de gancho), amasse em velocidade baixa por 5 minutos. Adicione a manteiga e bata mais 5-8 minutos. Depois de adicionar a manteiga, o gancho de massa pode não conseguir puxar a massa presa no fundo da tigela. Raspe-a com uma espátula, para que a massa fique uniformemente amassada. 

Primeiro crescimento: Deixe a massa crescer (coberta) em um lugar quente e sem correntes de ar por 1 a 1 hora e meia ou até dobrar de tamanho (eu coloco a tigela com a massa dentro de um saco plástico grande e fecho o saco).

Forma : Tendo a massa crescido – dobrando de volume – Amasse-a de novo, para tirar o ar dela. Divida a massa em 12 partes iguais e molde cada uma em uma bola. Usando um rolo de massa, abra cada bola até que se fome uma faixa oval. Dobre os lados da faixa para dentro. Use um rolo de massa e alise a faixa novamente. Enrole a massa em um cilindro (rolinho). Aperte as partes que se encontram, para fechar o rolo. Repita o mesmo procedimento com todas as bolas. Coloque os rolinhos um ao lado do outro, na assadeira – de 33 cm por 23 cm, untada com manteiga ou spray desmoldante (eu peso cada rolinho, para que fiquem idênticos).

Segundo Crescimento : Cubra a assadeira com um pano limpo e deixe crescer novamente por 1 a 1 hora e meia ou até dobrar de tamanho Eu ponho a assadeira com os pãezinhos dentro do mesmo saco plástico grande onde a massa cresceu na primeira vez. 30 minutos antes que os rolos estejam prontos, pré-aqueça o forno a 180ºC.

Asse e deixe esfriar : quando os pãezinhos estiverem prontos para assar, pincele a parte superior com lavagem de ovo e leve ao forno por 15 minutos (os meus demoraram mais (assaram nuns 25 minutos) . Retire os pãezinhos da forma imediatamente e deixe esfriar sobre uma gradinha. Se quiser que os pãezinhos fiquem brilhosos, pincele manteiga neles assim que saírem do forno. Os pãezinhos podem ser mantidos em temperatura ambiente, em um recipiente hermético por 3 dias.

  

                                        E o que tem rolado?

O de sempre: tenho cozinhado muito e lido (não tanto quanto eu gostaria, mas tenho lido)

Nos últimos tempos li dois dos livros do "A noite mais sombria" a trilogia do Milton Hatoum (nomes dos tais: A noite da espera e Pontos de fuga). Sendo obra de lançamento recente, não sei se o terceiro volume já veio a público, estou à espera, rsrs. É um romance de formação, a gente acompanha o amadurecimento do personagem principal, um garoto chamado Martim, desde a infância dele, com destaque para a adolescência e a vida de jovem adulto, estudante de arquitetura em Brasília e em São Paulo. O pano de fundo da estória é a Ditadura militar brasileira, com todos os seus tristes significados. Por várias razões, gostei destes dois primeiros livros. Mas um motivo especial, para o meu embevecimento, foi que,  antes de se mudar para São Paulo o jovem Martim estudava na mesma universidade que eu frequentei. As várias menções ao local e às circunstâncias da época, que eu também experimentei, uns anos depois, me deixaram saudosa, rsrs.




Li também o Úrsula, de Maria Firmina dos Reis (publicado em 1859 - sob pseudônimo, devido ao forte patriarcalismo da época). Sua 2ª edição só saiu em 1975. É considerado importante pelo sentido abolicionista da estória e por ter sido o primeiro livro lançado por uma mulher no Brasil. Mas eu - pra ser sincera - o achei fraquinho, rsrs. 



E no momento estou a ler o A divina Comédia, a obra prima de Dante Alighieri. Tenciono falar deste livro depois. 




E é só para o momento.

Até breve! 

 

  

terça-feira, 14 de julho de 2020

Cheesecake ao estilo de Nova York com geléia e frutas vermelhas e...



Olá, meus amores, como têm passado? Sabiam que há uns 5 tipos de cheesecakes e que eles diferem entre si pelos ingredientes que levam e pela textura final do 'bolo'? O de Nova York (New York Style) é o mais rico em ingredientes, e tem uma consistência densa, mas também suave e cremosa. E pode ser congelado (sem as frutas e coberturas). Para isso, deixe que ele congele sobre a base da forma em que assou (sem o aro). E depois de congelado, embrulhe-o em filme plástico e cubra tudo com papel alumínio). E mantenha-o no freezer por até 3 meses! Reparem que este cheesecake assa bem devagar (por 2 horas!), porque a temperatura do forno é baixa e porque ele é assado em banho-maria. Isso garante a textura cremosa que ele precisa ter. E evita as indesejadas rachaduras, que costumam aparecer no topo do bolo. Esta receita é uma adaptação de umas 3, muito aclamadas nos portais gringos de culinária, na web. 

Cheesecake - no estilo novaiorquino) - com geléia e frutas vermelhas

Ingredientes
base de bolachas
·        85g de manteiga (e mais alguma para untar a forma – eu usei spray desmoldante)
·        200 g de biscoitos tipo ‘Maisena’ transformados em migalhas finas – você pode esmigalhar os biscoitos no processador de alimentos ou mesmo num liquidificador (a receita indica 140g, mas eu gosto de uma base mais grossa)
·        1 colher de sopa de açúcar
Para o recheio:
·        900g de queijo cremoso (cream cheese)
·        250g de açúcar refinado
·        3 colheres de sopa de farinha de trigo
·        1½ colher de chá de extrato de baunilha
·        raspas da casca de 1 limão  (cerca de 2 colheres de chá)
·        1½ colher de chá de suco de limão (coloquei só 1 colher porque o nosso limão é mais ácido)
·        3 ovos grandes + mais 1 gema
·        200ml de ‘sour cream’ (creme azedo)/substitui por iogurte grego
Para o topo (opcional):
½ xícara de geléia de frutas vermelhas derretida e fria
Frutas 'vermelhas' a gosto: morango, framboesa, amora, mirtilo ... (lave e enxugue-as, enquanto o cheesecake esfria)

Preparo
1.     Posicione uma prateleira bem no meio do forno e ligue-o a 160ºC.
2.     Cubra o fundo de uma forma de fundo móvel, de 23 cm de diâmetro, com papel manteiga (ou pergaminho, de preferência). E ponha um pouco de água para ferver para o banho-maria.

3.     Para a base:
Misture os 85g de manteiga (que deve estar bem macia ou líquida) com os biscoitos já transformados em pó. Junte o açúcar e misture tudo. 4. Pressione a mistura no fundo da forma, nivelando bem com as costas de uma colher. E asse esta base por 15 minutos. Deixe esfriar sobre uma gradinha enquanto prepara o recheio.

5.     Para o recheio:
 Em uma batedeira  equipada com o acessório ‘raquete’, bata 900g de cream cheese em velocidade média-baixa até ficar cremoso, cerca de 2 minutos.
6.     Com a batedeira em velocidade baixa, adicione gradualmente os 250g de açúcar refinado, 3 colheres de sopa de farinha e uma pitada de sal. Desligue a batedeira duas vezes, durante o processo, e empurre os respingos da tigela para baixo, com uma espátula, ligando-a em seguida e continuando a bater (é jogo rápido, coisa de 2 minutos, não bata demais).
7.     Troque o acessório ‘raquete’ pelo batedor comum. Continue adicionando os restantes ingredientes: 1 ½ colher de chá de extrato de baunilha, 2 colheres de chá de raspas da casca do limão e 1 colher de chá do suco do limão. Adicione os 3 ovos grandes e 1 gema, um de cada vez, raspando a tigela pelo menos duas vezes.
8.   Acrescente os 200 ml de iogurte grego e bata tudo até ficar homogêneo. Bata para misturar, mas não bata demais. A massa deve ser lisa, leve e um pouco arejada.
9.     Pincele as laterais da forma com manteiga derretida (eu usei spray desmoldante, como já mencionei). Abra duas folhas grandes de papel alumínio e amarre-as em volta da forma, cobrindo bem o fundo (isso é para evitar que a água do banho-maria entre pelo fundo da forma. Coloque a forma dentro de uma assadeira maior e ponha água fervente na assadeira maior até atingir o meio da forma com o cheesecake.  Despeje o recheio na forma. E asse por 1hora e 55 minutos. Observe, depois de uns 50 minutos, se é necessário colocar mais água fervente na assadeira, caso seja, faça isso.
10. Desligue o forno e deixe que o cheesecake – ainda no banho-maria  esfrie, com a porta do forno entreaberta, por 2 horas. Depois leve o cheesecake à geladeira por 8 horas (melhor deixá-lo por 1 noite) para que ele acabe de firmar. Derreta ½ xícara de geléia vermelha (morango, framboesa ou frutas vermelhas)  em ¼ de xícara de água. Espere esfriar e espalhe sobre o cheesecake. Sobre a geléia espalhe as frutas escolhidas, já higienizadas. 

E o que tem rolado? 

Continuo com as mesmas atividades, de 'quarentena', mencionadas em posts anteriores. Li, o Matar para não morrer, da Mary Del Priore, que conta a história de Dilermando de Assis, entrelaçada com a do escritor Euclides da Cunha, morto por Dilermando de Assis, no início do século passado.
A narrativa da Mary Del Priore é muito mais isenta, objetiva e detalhista, já que a autora é - antes de tudo - uma historiadora. Se você não sabe nada sobre esse assunto, mas tem interesse, leia este livro (para começar, pelo menos, rsrs.)! 

                                             
                    Li também outros livros dos quais quero falar depois.


                                               Imagens aleatórias













Buda, livros e planta 

                                     um bolo de fubá que foi feito há meses (e nunca mostrado)

      saladinha no palito - sugestão de salada 'finger food' mostrada aqui no blog em março de 2012 
o espetinho-salada pode ficar gracioso e festivo. Os dois das fotos acima foram feitos com palmito. 
Mas se você substituir o palmito por queijo, na composição da primeira foto, você obterá a 'salada caprese'.

É é só... até breve!



sexta-feira, 3 de julho de 2020

Risoto de frango e o que tem rolado

Olá, minha gente,
Como estão aí no confinamento? Espero que muito bem, empregando o tempo em coisas que distraiam a mente dessa situação surreal, rsrs. Eu estou na mesma, lendo um pouco mais, cozinhando e buscando evitar os sentimentos negativos. 


Acho que já disse aqui que adoro fazer risotos, né? É um prato sofisticado e saboroso, que leva poucos ingredientes e é fácil de fazer. Os meus preferidos são os de açafrão e os vegetarianos: de abobrinha, aspargos, etc. Mas o povo aqui faz questão de ter uma carne na refeição principal do dia, por isso eu tenho feito muitas vezes o risoto de frango (mas não só de frango, claro) 


Risoto de frango
(rende até 8 porções generosas)

Ingredientes

1 peito de frango cortado em cubinhos e temperado a gosto (pode ser feito também com sobras de frango assado ou cozido)
500 gramas de arroz para risoto (arbório, carnaroli, vialone)
1 colher de sopa de óleo de cozinha
2  colheres de sopa de manteiga (e mais, se desejar um risoto mais encorpado)
1 cebola média picada
½ xícara (120 ml) de vinho branco seco
1 colher de sobremesa de colorau (opcional)
1 litro ou mais de caldo de galinha (você pode fazer antecipadamente o seu próprio caldo com a carcaça do peito, se comprar o peito com osso; caso opte pela praticidade, use o caldo em pó, industrializado: é só dissolve-lo conforme as instruções da embalagem)
Sal, se necessário
30 gramas de queijo parmesão ralado, para o preparo + 30 gramas para servir com o risoto (ou a gosto)
Cebolinha verde picada

Preparo

Mantenha o caldo de galinha aquecido, em fogo baixo. Aqueça o óleo e a manteiga numa panela de fundo grosso e tamanho médio. Frite os cubinhos de frango (já temperados), até que dourem (uma boa pitada de açúcar apressa o processo). Acrescente a cebola picada e frite tudo. Junte o arroz (não se deve lavá-lo!) e o vinho e vá mexendo tudo até que o vinho evapore. Então vá juntando o caldo, concha a concha, mexendo sempre, para que o arroz solte o amido e fique cremoso e também para que não grude no fundo da panela, até que o arroz esteja cozido (al dente). Acrescente a primeira parte do queijo e mexa para que derreta. Corrija o sal, se necessário (adicione mais 1 colher de sopa de manteiga, se desejar) Sirva com a cebolinha e o restante do queijo. E lembre-se de que o risoto tem que ficar úmido!  

                                                            🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹

E estando com a família em volta, a gente sempre acaba cozinhando mais, especialmente os pratos preferidos de cada um (o que pode resultar num engordamento coletivo por cá, mas parece que isso não tem sido assim tão exagerado não, rsrs).
De qualquer modo, eu tenho feito também mais pão do que fazia antes, como muita gente por aí (aqui no blog eu já postei inúmeras receitas de pão).

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E nos fins de semana, tenho feito pudim de leite com frequência, porque é a sobremesa preferida do meu marido.


                                                         
Imagens Aleatórias

Também continuo tirando fotos aleatórias, com o objetivo talvez de melhorar como fotógrafa.

brinco de princesa (plantinha mimosa)

                                                      coléus (folhas de colorido magnifíco)

Bellita ao piano (treinando)


Sobre a leitura



Eu havia dito, num post  recente, que pensei em analisar – e comentar aqui -  os livros que leio (e  até os já resenhados) sob um viés mais realista. E isso porque acredito, realmente, que a literatura pode mudar uma pessoa; pode melhorar bastante o entendimento que ela tem do mundo e até de si mesma.
Para que isso aconteça é preciso que a leitura seja feita com cuidado e atenção. E de forma analítica e crítica. Se nos deparamos, por exemplo, com estórias de pessoas ricas e poderosas, temos que nos perguntar a origem da riqueza e do poder das tais pessoas (o autor da narrativa talvez não o faça, ou faça  parcialmente, que é o mais comum). Se o livro nos fala de pessoas pobres e deamparadas (ou ‘Humilhados e Ofendidos’, como as chamou Dostoiévski, rsrs) temos que buscar a explicação para essa condição também.  
De qualquer modo, a literatura nos fala sobre vidas e experiências que se situaram dentro de um período de tempo, com os seus costumes, suas leis  e tradições. E isso nos faz ver como era a vida então. Nos livros da inglesa Jane Austen, por exemplo, que viveu no século XVIII,  a gente pode ver que a condição das mulheres estava longe de ser a melhor, ainda que se tratasse de mulheres de famílias abastadas.  
É que, naquele tempo, as mulheres não tinham nenhuma autonomia, passavam da subordinação ao pai para a subordinação ao marido, quando casavam. E não tinham praticamente nenhum direito (a lei proibia – por exemplo - que elas recebessem herança, e caso algum pai, possuidor de bens, transferisse patrimônios para as filhas, estes passavam automaticamente ao marido, se elas se casassem).
Os empregos remunerados eram mal vistos para mulheres, e só eram tolerados às mulheres realmente necessitadas. Mulheres de classe média baixa podiam ‘tocar’ um armarinho ou uma papelaria, mas mesmo essas ocupações eram desencorajadas (e não agregavam status nenhum às pessoas que as desempenhavam).  
De resto, a educação feminina era pobre e básica porque se considerava que as mulheres não tinham capacidade intelectual suficiente, ou eram muito inferiores aos homens, nessa área. No entanto, as heroínas de Jane Austen eram inteligentes e capazes de tirar proveitos de situações adversas e restritivas. Elas procuravam se educar do modo que podiam, observando os homens, especialmente pais e irmãos. Se moravam em casa com biblioteca, procuravam ler de forma contínua e sistemática. 
Elas também buscavam a felicidade e a segurança econômica em casamentos ‘sensatos’ em que houvesse, senão amor, ao menos estima, pelo homem escolhido. Esse tipo de casamento não era – nem de longe – o mais comum naqueles anos.  
Então... temos que estar atentos a todas essas coisas, para não correr o risco de não aproveitar a leitura plenamente.
                                                               🍁
E é só, para o momento, até breve!



domingo, 14 de junho de 2020

Torta de limão e Merengue e o que rolou nos últimos dias....



Olá, queridos leitores, como passaram esses últimos dias? Espero que muito bem, apesar de tudo. A "quarentena" nos desafia, sei disso, ansiedade e angústia ficam como que à espreita, prontas para se arremeterem contra as nossas almas... mas nós haveremos de vencê-las até o fim, mantenham-se firmes!  

Para 'variar' eu achava que já havia aqui no blog a receita desta torta de limão, que eu chamo de 'torta de limão brasileira' ou 'torta de limão e leite condensado'. Descobri que não há e achei isso muito estranho, pois sempre a fiz, rsrs. Hoje ela figurou por cá como bolo de aniversário, porque foi o doce escolhido pelo aniversariante. A receita longa desta torta leva a gente a imaginar que ela seja de preparo difícil, mas isso é um engano, pois se trata de uma sobremesa fácil de fazer. Ela também fica glamourosa e costuma agradar a 'gregos' e 'troianos', que são boas razões para a gente fazê-la, né? rsrs. 




Torta de limão e Merengue (com leite condensado)
(esta é a receita da Nestlé, que eu já a alterei em vários pontos)
Massa:
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
4 colheres (sopa) de manteiga
meia lata de creme de leite
1 colher (chá) de fermento em pó
1 colher (sopa) de açúcar (opcional, acréscimo meu)
Recheio:
1 lata ou caixinha (395g) de leite condensado 
6 colheres (sopa) de suco de limão
meia lata de creme de leite
1 colher (sopa) de raspas da casca de limão
Merengue (do tipo italiano, na receita da Nestlé o merengue é outro, mais simples e mais econômico, mas este é mais estável e rende bem)
Ingredientes
2 xícaras de açúcar
160 gramas de claras de ovos (são cerca de 6 claras)
1 xícara de água
1 colher de chá de suco natural de limão (opcional)
Pitada de cremor de tártaro (opcional)
raspas da casca de limão para decorar a torta (opcional), usei um 'zester' para fazer as minhas 'raspas'*
Preparo:
Massa: Misture os ingredientes numa tigela, amassando tudo com um amassador ou com as pontas dos dedos. Faça uma bola com a massa, envolva-a com filme plástico e leve a bola à geladeira, por 30 minutos. Ligue o forno em temperatura alta (200ºC). Abra a massa sobre superfície ligeiramente enfarinhada e estenda-a numa forma para torta, de fundo falso (de 24 cm de diâmetro), cobrindo o fundo e as laterais da forma. Fure a massa com um garfo (para que ela não inche) e leve-a ao forno (preaquecido) por 20 minutos. Depois de assada, reserve a massa na forma.  
Recheio:
Numa tigela, misture os ingredientes do recheio e espalhe o mesmo na crosta assada da torta. 
Cobertura:
Merengue Italiano
Preparo:
Numa panela, de fundo grosso, misture a água e o açúcar. Leve a panela ao fogo médio e continue mexendo até que o açúcar dissolva totalmente (é coisa rápida, não mexa demais, ou a calda açucara!). Assim que o açúcar dissolver, pare imediatamente de mexer e deixe que a calda cozinhe até que atinja a temperatura de 120ºC, mais ou menos (se você não tiver um termômetro para doce, teste o ponto da calda, jogando uma colherinha dela em um pires de água fria. Se você conseguir pegar a massinha que se forma na água, com as pontas dos dedos – uma bolinha mole – está no ponto). Caso a calda se espalhe pelas paredes da panela e comece a cristalizar, passe um pincel culinário molhado em água limpa nos cristais, para dissolvê-los.
Enquanto a calda cozinha, ponha as claras na tigela da batedeira – que deve estar muito limpa. Bata as claras até que elas formem picos moles, acrescente o cremor de tártaro e o suco de limão e bata mais um pouco. Quando a calda chegar ao ponto, despeje-a sobre as claras em neve (picos ainda meio moles), com a batedeira ligada, em velocidade média. Deixe que a mistura bata até amornar. Empregue o merengue na torta. Use um saco de confeitar, se preferir. (queimei o meu merengue, ligeiramente, com um maçarico; você pode conseguir o mesmo efeito deixando a torta no forno baixo - 160ºC - preaquecido, por uns 15 minutos).
Zester é um utensílio de cozinha que serve para raspar as cascas das frutas cítricas. Diferentemente do ralador, ele produz umas tirinhas da casca dessas frutas.  

E o que tem rolado?

Com tanto tempo livre, tenho fotografado e lido um pouco mais do que o normal. Nos últimos dias tirei muitas fotos aleatórias, apenas para testar a luz e os ângulos dos objetos. Nem saberia como classificá-las. Estas abaixos - de cantos e coisas daqui de casa - são algumas delas...







De resto, como mencionei, tenho lido bastante. Pensei, inclusive, em inaugurar uma nova seção aqui no blog, em que eu faria resenhas dos livros que leio (e também dos já resenhados) sob um viés mais profundo e realista. Iria comentar ... por exemplo... a frase dita pelo almirante Croft, na estória escrita pela britância Jane Austen, Persuasão (capítulo 8; livro resenhado aqui). A frase é a seguinte:...."Se tivermos a sorte de viver para testemunhar outra guerra..."
Alguém pode perguntar como que testemunhar uma guerra pode ser um golpe de sorte. Mas só perguntaria isso, pessoas que não sabem que as guerras, muitas vezes, são instrumentos usados para conquistar terras e bens, poder e supremacia sobre outros povos. 
Em Persuasão, Frederick Wentworth, o amor da vida de Anne Elliot, a 'heroína', é dispensado por ela por não ter fortuna nem família com ligações sociais importantes. É verdade que a moça não tomou a decisão de dispensar o rapaz por si mesma, e sim levada pelo conselho de sua mentora, lady Russel. Mas o notável, é que sete anos depois Frederick Wentworth reaparece numa situação econômica e social muito diferente. Nos entrementes, ele havia participado de uma das guerras navais britânicas, dos tempos napoleônicos, e essa empreitada fez dele um homem rico e um militar condecorado. São coisas para se pensar, né? Mas eu não sei se levarei essa tarefa adiante.
E é só para o momento, mas espero voltar em breve.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Bolo Intenso de Chocolate (no dia das mães de 2020) e o livro: Memórias Póstumas de Brás Cubas


                      o bolinho claro, na faixa de acetato, eu ganhei de uma das minhas filhas

a massa úmida - do bolo intenso de chocolate - acaba 'sujando' o recheio cremoso e claro (brigadeiro branco com chocolate branco), no momento do corte.



Olá, queridos leitores, como têm passado? Espero que todos estejam se mantendo bem - física e emocionalmente - nesse período de reclusão. 

Tenho que admitir que para mim as coisas não mudaram muito, devido à nova conjuntura, rsrs. Mesmo assim, com a família em casa, ajudando nos trabalhos domésticos, tem me sobrado um tempinho, que venho procurando empregar em leitura e coisas do gênero. 

Como sobremesa, para o dia das mães, eu quis preparar este bolo de chocolate (quando comecei a fazê-lo eu ainda não sabia que minha filha Bellita tinha encomendado o bolinho claro, para me dar de presente, rsrs). 

Este bolo - 'pretinho', intensamente chocolático e úmido - é uma variação de pelo menos outros dois, que já postei aqui no blog. Esta receita, no entanto, é mais prática, porque as medidas são mais redondas e o preparo mais simples.  Ela foi postada pela chef Paola Carosella, meses atrás, e tem feito muito sucesso, desde então. Mas eu ousei fazer uns ajustinhos nela, para que o bolo ficasse mais de acordo com o nosso paladar (acho que na receita original ele leva sal e bicarbonato demais, por exemplo). 

Bolo intenso de chocolate

 Ingredientes: 

220g de farinha de trigo comum 
100g de cacau em pó
1 colher de chá de sal fino (coloquei apenas 1/2 colher de chá)
 2 colheres de chá de bicarbonato de sódio (coloquei 1 colher de bicarbonato de sódio)
1 colher de chá de fermento em pó (coloquei 2 colheres de chá, para compensar a colher de bicarbonato que tirei)
400 g de açúcar 
2 ovos 
1 colher de chá de extrato de baunilha 
200g de iogurte natural 
100g de óleo vegetal 
225ml de água quente 

2 formas de 20 cm (usei 3 formas de 17 cm de diâmetro)


 Preparo

Unte as formas com manteiga (ou com spray desmoldante). Forre o fundo de cada uma delas com papel manteiga e unte o papel também (para isso, você precisa cortar, antes, 3 círculos de papel manteiga na medida do diâmetro do fundo das formas). Ligue o forno a 160º C .

Misture todos os ingredientes secos numa tigela (farinha, cacau, sal, bicarbonato, fermento em pó e açúcar)

Em outra tigela misture os ingredientes úmidos: menos a água quente. Junte o conteúdo das 2 tigelas, adicionando então a água quente. MIsture - girando o fouet sempre para o mesmo lado - até homogeneizar tudo. Distribuia a massa nas 3 formas preparadas e leve-as ao forno. Deixe que os bolos assem por mais ou menos 35 minutos (as minhas massas demoraram mais, cerca de 1 hora). 

Livro: Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis
(não farei resenha da estória, pelo motivo alegado abaixo)



Estive limpando os livros de nossa biblioteca recentemente. Ao pegar o volume "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, tive vontade de relê-lo (porque para mim este livro é uma das provas do adultério de Capitu, a personagem mais polêmica do autor, protagonista do romance Dom Casmurro). 
É que aqui vemos, de novo, uma mulher adúltera desembaraçando-se com relativa tranquilidade de todas as situações em que o marido dela esteve a ponto de apanhá-la no delito. Para mim isso prova que o autor tinha uma certa ... fixação, na questão do adultério feminino.

Porém a passagem que me chamou a atenção, nessa nova leitura, foi esta abaixo (trecho do capítulo CXXVI - Desconsolação) em que se discute a epidemia que estava assolando o Brasil no século XIX, a febre amarela:

"Vejam agora a que excessos pode levar uma inadvertência; doeu-me um pouco a cegueira da epidemia que, matando à direita e à esquerda, levou também uma jovem dama, que tinha de ser minha mulher; não cheguei a entender a necessidade da epidemia, menos ainda daquela morte. Creio até que esta me pareceu ainda mais absurda que todas as outras mortes. Quincas Borba, porém, explicou-me que epidemias eram úteis à espécie, embora desastrosas para uma certa porção de indivíduos; fez-me notar que, por mais horrendo que fosse o espetáculo, havia uma vantagem de muito peso: a sobrevivência do maior número.   



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