quarta-feira, 25 de março de 2020

Bolo Prestígio para um aniversário e o que tem rolado nesses dias de isolamento




Olá, queridos leitores, como têm passado?  Espero que todos estejam bem e livres de vírus traiçoeiros, rsrs. 

Por falar em vírus, tenho produzido muito, nesses dias de isolamento.  O bolo das fotos acima eu fiz para a celebração do aniversário de uma irmã, que já estava em quarentena. Não houve festa, como entendemos uma festa, mas a família fez com que ela recebesse o bolo e outras coisinhas, que serviram para que a data não fosse passada em branco. 

A receita deste bolo, que desta vez foi feito duas vezes e coberto com uma ganache alisada, foi postada aqui. Você pode fazer - se preferir simplificar - uma massa só (esta! do bolo Nega Maluca vapt-vupt) e distribuí-la em três formas de 17 centímetros de diâmetro. No restante você segue a receita do primeiro link. 

Com a família em casa (exceto o 'homi' da casa que, sendo profissional da área de saúde, também se encontra na labuta anti coronavírus), nesse início de outono chuvoso e muitas vezes frio, há que fazer pratos variados, para alimentar a turba. E é por isso que têm saído coisas como estas tortas (de frango, receita aqui!), estes brigadeiros e outros... que não aparecem neste post, rsrs. 

 
                             esta torta também foi preparada como uma sugestão para a Páscoa 


Também tenho me ocupado com jardinagem e - é claro- leitura. Terminei de ler o Dois irmãos, do Milton Hatoum e iniciei o À margem da história, do Euclides da Cunha.
Euclides da Cunha é um autor que me fascina, tanto o homem quanto o escritor. Falei dele, indiretamente, no texto abaixo, que escrevi - anos atrás -  para o meu blog de livros. 


Livro: O Pai, de Dirce de Assis Cavalcanti


Acabei de ler um livro que me chegou às mãos casualmente. Trata-se de O Pai, de Dirce de Assis Cavalcanti. 

Muito me surpreendi com o teor do livro, e sobretudo com o talento literário da autora. Ela vem a ser, imaginem só, filha do militar Dilermando de Assis, o homem que matou o escritor Euclides da Cunha.

Narrando sua estória, Dirce de A. Cavalcanti nos expõe a tragédia em que seu pai esteve envolvido, e a forma como isso o afetou posteriormente, bem como à nova família constituída por ele. Ela nasceu de um casamento contraído por Dilermando de Assis, depois que ele se separou de Ana, ex-mulher de Euclides da cunha, e pivô da desgraça que sobreveio aos dois homens.

Tencionando ingenuamente poupar a menina, Dilermando e a mãe dela se calaram sobre os fatos concernentes ao passado dele, uma vez que ele fora absolvido do crime em que esteve envolvido. A menina, porém, acaba por descobrir (através de uma coleguinha de escola, e da pior forma possível), os eventos ocorridos na juventude de seu pai. E a estória de Dilermando nos prova, mais uma vez, que a vida é, e sempre será, mais complexa e surpreendente que qualquer obra de ficção.

Dilermando de Assis conheceu Ana da Cunha, quando ele tinha dezessete anos, por ser ela, então, vizinha e amiga de suas tias. Recém-ingresso na vida militar, ele era um rapagão alto, loiro, de olhos azuis, campeão nacional de esgrima, de salto em vara e tiro ao alvo. Pouco depois de conhecê-la, Dilermando, as tias e Ana, se tornam vizinhos num edifício em que a proprietária, madame Monat, alugava apartamentos para famílias. E aí é que a 'coisa' entre eles se inicia pois Ana, no vigor dos trinta e poucos anos, passava longos períodos sozinha (com o filho dela com Euclides), enquanto seu marido famoso se ausentava, às voltas com seu trabalho (ele era engenheiro), suas viagens e pesquisas.

Ana e Dilermando se apaixonam ela engravida, quer se separar de Euclides mas este não lhe concede a separação. O bebê gerado por Ana e Dilermando morre com poucos dias de nascido (mais tarde ela diria que o marido o afastou dela, impedindo-a de amamentá-lo). O casal de amantes, no entanto, a despeito das adversidades que se interpõem entre eles (a furiosa oposição do marido dela; a transferência dele para uma escola militar no Sul, etc.), continua se encontrando e ela dá à luz a outro filho de Dilermando. Euclides registra a criança como seu filho, no intento, talvez, de por um fim definitivo, na relação extra-conjugal da mulher. O casamento dos dois, porém, se tornara impossível e, depois de conflitos e discussões terríveis, ela deixa a casa do marido, com os dois filhos - o dele e o do amante - e vai morar com este, na casinha em que ele estava residindo com o irmão. 
Euclides descobre o endereço da casa e irrompe no local disposto a matar ou morrer. Ali ele é atendido à porta pelo irmão do jovem militar, em quem atira (o rapaz sobrevive mas, tornando-se inválido, comete o suicídio poucos anos depois). Dilermando também é alvejado (várias vezes) e, para se defender, dá dois tiros em Euclides, um deles, fatal.
Posteriormente a viúva se casa com o jovem amante e tem outros filhos com ele, mas, alguns anos depois, o filho que ela tivera com Euclides procura vingar a morte do pai, disparando um tiro - pelas costas - no novo marido de sua mãe. Este, que se encontrava na ocasião, num cartório, no Rio de Janeiro, reage e mata também o seu agressor. Segue-se a isso, a separação do casal.

Passado alguns anos, Dilermando se junta à mãe de Dirce, a autora do livro a que ora nos referimos. E escreve também a sua versão dos fatos, narrada na obra A tragédia da PiedadeEuclides da Cunha, não é preciso dizê-lo, é o autor de Os Sertões tido como um dos maiores livros já escritos por um brasileiro.


E é isso aí... até a próxima! 



segunda-feira, 9 de março de 2020

Bolo Chiffon e ... entrando no espírito da Páscoa


acrescentei passas e cerejas em calda picadas ao meu bolo, porque queria que ele ganhasse mais sabor e um topo diferente, mas as frutinhas meio que ficaram grudando ao fundo da forma.


Olá, queridos leitores!

O bolo Chiffon é uma combinação de um pão de ló com um bolo genovês, 'Genoise' (o pão de ló é um bolo fofo e esponjoso, no qual não entra gordura (na receita clássica, pelo menos). O bolo genovês é também aerado e fofo, mas nele entra gordura (geralmente manteiga). Esta receita foi tirada de um livro chamado Cooking with ease  (in english and portuguese) publicado - só Deus sabe quando e em que circunstâncias, já que essas informações não constam nos registros bibliográficos do livro -, pela editora Carioca, com os direitos reservados para 'The women auxiliary to the strangers' hospital), O meu exemplar foi comprado num sebo, anos atrás. Não copiei o modo de preparo segundo o livro, porque o achei complicado. 

Bolo Chiffon à Betty

xícara = 240 ml

Ingredientes

2 e ¼ de xícaras de farinha de trigo
1 e ¾ xícaras de açúcar
3 colheres (chá) de fermento em pó para bolos
1 colher (chá) de sal
½ xícara de óleo de milho ou girassol
5 gemas de ovos
5 claras de ovos  +  outras tantas até que completem uma xícara de claras
½  colher (chá) de creme de tártaro (também conhecido por ‘cremor de tártaro’).
¾ de xícara de água fria
2 colheres de chá de essência de baunilha

Preparo

Numa tigela, peneire a farinha de trigo, duas vezes, antes de medi-la para a receita. Depois peneire a farinha medida com o sal e o fermento.  Ponha de lado esta tigela. Na batedeira, bata as claras até que comecem a espumar. Junte o creme de tártaro e bata até que fiquem firmes (mas não duras demais). Numa outra tigela misture bem, com um batedor de mão: as gemas, a água, o açúcar, o óleo e a essência. Despeje esta mistura das gemas sobre a tigela com a farinha e misture bem para homogeneizar tudo. Também com um batedor de mão (limpo!), e aos poucos (numas quatro vezes), acrescente a mistura de claras, à massa. Faça isso delicadamente, para que as claras não percam o ar acumulado na batedeira (que é o que faz o bolo ficar alto e muito fofo). Despeje a massa numa forma  grande com tubo no centro  (a minha tinha 26 centímetros de diâmetro e 9 centímetros de altura). A forma NÃO DEVE SER UNTADA (mas se você quiser acrescentar algo à massa, como eu fiz) aconselho a forrar o fundo da forma com papel manteiga (somente o fundo, ou o bolo não crescerá como deve). Leve a forma ao forno baixo (160º C) e deixe que o bolo asse por uns 30 minutos. Aumente a temperatura do forno para 180º C e deixe que o bolo acabe de assar (estará pronto quando estiver bem dourado e você puder pressionar a superfície dele com o dedo). Só desenforme o bolo depois que ele estiver totalmente frio. Passe uma faca em volta do bolo para facilitar o desenforme. 

A Páscoa desse ano será no início de abril. Mas é claro que já estamos incorporando o espírito de Páscoa, rsrs.



Comprei estas sacolinhas - que são pequenas e comportam ovos de 200 gramas, no máximo -, porque as achei muito fáceis de fazer e muito charmosas. Reparem que o aplique de coelhinho é colado nelas. 

tenho estes coelhinhos há muito tempo, mas só a coelhinha havia sido mostrada por aqui.



Gostei também deste guardanapo, que foi bem baratinho!

Por hoje é só, mas aqui no blog tem montes de ideias e receitas para a Páscoa!



terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Torta de frango - Massa Nova para tortas salgadas e os livros de Milton Hatoum



Olá e boa terça-feira de carnaval para todos!

Ao provar esta torta o meu marido comentou: "Guarde bem essas medidas, pois esta torta ficou especialmente boa, a massa está diferente, acho que mais gostosa, e o recheio de frango parece que está ainda melhor".

Ocorre que esta massa resultou de mais uma tentativa minha, de reduzir um pouco a gordura das minhas receitas, pois sempre achei a massa quebrada (também conhecida por Pâte Brisée, ou Massa Podre) muito gordurosa (apesar de ser também deliciosa, rsrs). Se você busca a massa clássica, aqui no blog eu já publiquei pelo menos 3 receitas excelentes! Para encontrá-las, basta digitar as palavras 'torta salgada', 'massa podre' ou 'pâte brisée' na caixa de pesquisa que fica no alto da página, no lado direito, onde está escrito: 'o que você procura?'.

E o recheio de frango é este abaixo... acho que já publiquei esta receita antes, mas não tenho certeza...

Torta de frango saborosa ou Minha Nova Massa Podre Salgada (Pâte Brisée Salée)

Ingredientes

500g de farinha de trigo
100g de manteiga ou margarina de boa qualidade (rica em lipídeos)/ fria mas não dura
100g de banha (fria, mas não dura)
1 e 1/2 colheres (chá) de sal
1 ovo de tamanho médio inteiro
Água gelada o quanto baste, para dar o ponto (a massa tem de ficar maleável, a quantidade de água vai depender da farinha)
Farinha para polvilhar a mesa

1 gema de ovo misturada a umas gotas de óleo vegetal e outra gota de café preparado ou molho de soja (shoyu) para pincelar na tampa da torta ou empadinhas 

Preparo

Ponha a farinha numa tigela. Junte o sal, a manteiga e a banha e misture tudo com um garfo. Acrescente o ovo e misture inicialmente com um garfo e depois com as pontas dos dedos, vá pingado a água e misturando tudo (evite usar a mão inteira, pois o calor dela derrete as gorduras e isso afeta o resultado final da massa; se possuir um processador de alimentos, prefira preparar esta massa nele, ponha os ingredientes no aparelho conforme a ordem descrita e vá pressionando rapidamente a tecla 'pulsar' até que a massa se torne uma bola). Abra a massa entre dois pedaços de plástico (ou sobre uma superfície levemente polvilhada com farinha), usando um rolo de massa. Forre a forma de torta com - cerca de - metade da massa. Recheie a torta e abra a outra parte da massa para fazer a ‘tampa’ da torta, se desejar fazer decorações na superfície da torta, reserve uma parte da massa para isso. Estenda a cobertura sobre a torta recheada, e aperte bem as bordas da massa, para ‘colar’ a tampa na torta. Pincele a mistura de gema sobre a "tampa" e leve a torta ao forno médio (180º C) por 30-40 minutos (até que a torta esteja dourada.

Recheio de frango para tortas e empadas

Ingredientes

500 g de peito de frango
2 dentes de alho
1 colher (sopa) rasa de sal (ou a gosto)
1 colher (sopa) de chimichurri preparado
1 folha de louro
2 colheres (sopa) de molho inglês, do tipo worcestershire (ou de um bom vinagre balsâmico)
2 colheres (sopa) de óleo culinário (soja, canola, etc.)
1 colher (chá) de açúcar
1/2 xícara (chá) de água
2 colheres (sopa) de colorau (ou 1/2 xícara de molho de tomates, se preferir)
1 cebola média picada
1 copo de requeijão cremoso (ou 2 colheres (sopa) de farinha de trigo dissolvida em 1/4 de xícara (chá) de água + 2 caixinhas de creme de leite)

Opcionais:

½ xícara (chá) de cheiro verde higienizado e picado
¼ xicara (chá) de azeitonas picadas 
1/2 xícara de xícara de chá de pimentão vermelho e verde higienizados e picados

Como fazer:
Pelo menos meia hora antes do preparo, esmague o alho com o sal e tempere o peito de frango, já desossado. Esfregue também o frango com o chimichurri preparado (você pode substituir este tempero por outro, do seu gosto). Ponha o peito em um saquinho de plástico, e leve-o à geladeira para que o frango absorva os temperos (isso pode ser feito na véspera, fica até melhor). Ponha o óleo numa panela alta, de fundo grosso, e deixe que ele esquente. Acrescente o  açúcar e quando este começar a dourar, frite bem o peito de frango. Acrescente a cebola e deixe que esta doure também. Junte a água, o louro e o colorau  e cozinhe o peito até que ele amacie. Espere que o frango esfrie e corte-o e desfie os pedaços (desfiei o meu peito também na batedeira, usando o batedor comum, para bolo). Devolva o peito desfiado à panela. Dissolva a farinha num pouco de água e acrescente esta mistura ao frango. Leve a panela ao fogo. Mexa bem para não empelotar. Junte os pimentões, as azeitonas - se for usá-los. Acrescente o creme de leite, corrija o tempero, se for preciso e aqueça tudo. Junte o cheiro verde. Deixe que o frango esfrie e empregue-o no recheio da torta. 

Livro:

A Cidade ilhada, de Milton Hatoum





 Li, recentemente o livro de contos ‘A cidade ilhada’, do Milton Hatoum. Achei a escrita dele simples e cativante, atributos que fazem com que o livro, que é pequeno (a minha edição tem apenas 14 contos, que totalizam 129 páginas), possa ser lido em uma assentada.
Muitos dos contos são ambientados em Manaus, lugar um tanto enigmático, que em minha imaginação figura como uma mistura de selva com coisas como um teatro de estilo renascentista e decoração pomposa, mas que Hatoum revela como uma cidade como outra qualquer (com a particularidade de ser na Amazônia).
Os contos abordam uma gama grande de assuntos, da iniciação sexual de um rapaz, até o ‘enriquecimento’ repentino de um serviçal amazonense, que encontra uma pequena fortuna dentro de uma jibóia.
Muito do valor das estórias se encontra no – digamos – texto secundário, nas descrições, no que não é dito ou simplesmente no que se pode inferir do que é dito.
Ao fim da leitura ficamos conhecendo um pouco mais do autor – na suposição de que tudo que um escritor escreve o retrata a si mesmo – e também da alma humana, bem como de um pedaço do norte do país.
Gostei tanto deste livro que já engatei na leitura de outro livro do escritor, o ‘Dois irmãos. 




sábado, 8 de fevereiro de 2020

Chutney de cebolas roxas caramelizadas e o livro: Um, nenhum e Cem mil






Olá, meu povo!


Este chutney de cebolas roxas apareceu por aqui entre os pratos que preparei ultimamente. Ele tem agradado bastante e houve quem achasse que a semente de mostarda é o ingrediente que dá o toque extra de sabor a esta iguaria. Eu acho que é a combinação de tudo, que resulta nessa mistura deliciosa. 
O curioso é que aqui no blog eu já publiquei outro chutney de cebola roxa, que foi chamado de 'Geléia de cebola roxa'. Ele também é bom, mas este tem um sabor mais sofisticado.  

Chutney de cebolas roxas caramelizadas
(receita daqui)

Ingredientes

8 cebolas roxas médias
1 pimenta malagueta seca  (não tirei as sementes)/quase não se nota a picância, se desejar mais picante, use duas pimentas
2 folhas de louro
25 ml de azeite de oliva (usei extra virgem)
200 gramas de açúcar mascavo
2 colheres de chá de sementes de mostarda
150 ml de vinagre balsâmico, de Modena
150 ml de vinagre de vinho tinto

   Preparo

         Corte as cebolas e a pimenta em fatias finas, depois corte as fatias de cebola ao meio novamente (recomendo que pique bem as cebolas, coisa que não fiz, por seguir a receita à risca) e coloque-as em uma panela com as folhas de louro, a pimenta e o azeite. Cozinhe a mistura, delicadamente, em fogo baixo, por cerca de 20 minutos.
·        Quando as cebolas estiverem escuras e grudentas, adicione o açúcar, os vinagres e as sementes de mostarda, cozinhe por cerca de 30 minutos, até que o chutney fique espesso e escuro. (Mexendo a intervalos para que não grude na panela).
·        Despeje o chutney em um pote de vidro quente e esterilizado (o meu pote, juntamente com a tampa, foi fervido por 20 minutos, depois de bem lavado) e deixe-o esfriar.
·        Pode-se comer o chutney imediatamente, mas o ideal é deixar que os sabores se misturem e amadureçam por um mês ou até mais. 

 

Livro:

Um, nenhum e cem mil,

de Luigi Pirandello



Foi através de um dos livros da Elena Ferrante – autora italiana – que tomei conhecimento deste Um, nenhum e cem mil, do Luigi Pirandello.

Dando uma pesquisada sobre o tema do livro, a crise de identidade de um homem que descobre, repentinamente, que não se conhece, fiquei ansiosa para lê-lo.

E isso porque eu sempre soube que nós, seres humanos, nos conhecemos – a nós próprios – muito pouco!

Acho que lá pela adolescência formamos uma imagem própria, que resulta da combinação de um conhecimento muito superficial de nós mesmos, com a impressão que temos sobre a opinião que os outros têm de nós. 
E vamos em frente... sem nos determos na questão do auto-conhecimento.

Deve ser este o motivo da frase do Sócrates:

“Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses”.

Uma vez eu li a introdução de um livro em que o personagem principal dizia:

"Vivi – todos esses anos – a vida desse estranho, que sou eu mesmo"
(bom, este , pelo menos, já havia se dado conta de que não se conhecia, muitos não chegam nem a isso).

Na estória contada no Um, nenhum e cem mil, o personagem narrador, ao descobrir que não conhecia nem mesmo detalhes do próprio rosto, meio que provoca um ‘tsunami’, na própria vida, ao decidir mostrar ao mundo uma imagem diferente daquela que o mundo tinha dele.

Então, este livro - para quem curte o assunto - é muito instigante e eu o recomendo fortemente!



domingo, 19 de janeiro de 2020

Muxá (em nova versão), ecos do Natal e o livro Howards End



Olá, queridos leitores, como têm passado? Espero que muito bem! Aproveito a oportunidade - ainda dá tempo, convenhamos, rsrs - para desejar a todos um 2020 muito bom!

De vez em quando eu recebo e-mail de gente me pedindo o fornecimento do link de uma determinada receita, porque a pessoa não consegue acessá-la através da caixa de pesquisa.

Uma das receitas que - parece - tem sido difícil de achar, é a deste  doce das fotos, o muxá, conhecido na Bahia pelo nome de Lelê.

Há dois (ou mais!) links para esta receita aqui no blog: o do post original e outro, em que o doce é mencionado.

Verifiquei, porém, que só se chega ao primeiro link de forma indireta e isso me deu um novo motivo para republicar a receita (outro motivo é que eu a venho fazendo numa nova versão,  ligeiramente modificada, acho que para melhor).


Muxá - Lelê (ou barrinhas de milho e coco)

Ingredientes

500g de quirera de milho (também conhecida por canjiquinha; é o milho quebrado, comida de passarinho)
700 ml de água (ou um pouco mais)
600 ml de leite integral
3/4 de xícara (chá) de açúcar
1/4 xícara (chá) de leite de coco integral
1/4 de colher de chá de sal
1 coco pequeno ralado ou 200 gramas  de coco seco ralado (2 pacotes)

Preparo

Na véspera, ponha a canjiquinha de molho na água, num recipente com capacidade para uns dois litros (a canjiquinha deve ficar coberta pela água). No dia seguinte, coloque a canjiquinha e a água numa panela de pressão e leve a panela ao fogo (a água deve ultrapassar um pouco o nível da canquinha). Assim que a válvula começar a girar, abaixe o fogo e deixe que cozinhe por  vinte minutos (muita calma nessa hora, mantenha o fogo bem baixinho, pois este preparado costuma grudar no fundo da panela). Tire o ar da panela, junte o açúcar, o sal, o leite e o leite de coco e volte a panela ao fogo baixo, mexendo sempre, até que o milho absorva bem os líquidos (leva mais ou menos meia hora). Desligue o fogo e adicione metade do coco e misture bem. Despeje a mistura num tabuleiro grande (30cm por 40cm), umedecido com água (é só jogar água no tabuleiro e escorrer), nivele a mistura com uma colher. Distribua o restante do coco sobre o doce, cubra-o e deixe que esfrie. Quando amornar, leve a forma  à geladeira. No momento de servir, corte o doce em barrinhas.

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Os biscoitos do Natal

Vi que não mostrei  nada do que preparei ou comemos no Natal e no Réveillon. Foram várias as razões para isso: fotos ruins ou tiradas depois da 'hora' e até mesmo a minha indisposição para tanto.

Mas o fato é que andei fazendo algumas coisas sim, e uma delas foi estes biscoitos natalinos, que eu pretendia distribuir para parentes e amigos, mas acabei não fazendo isso, pois não os preparei na quantidade suficiente.





As receitas dos biscoitos estão espalhadas pelo blog.

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Livro

Howards End,
de E. M. Forster

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Apesar de ter montes de livros à espera de leitura, resolvi reler O Howards End, de E. M. Forster, que eu havia lido numa fase pouco favorável à apreensão do conteúdo de sua estória, cerca de duas décadas atrás.


Que boa ação, essa de reler este livro, quanta reflexão ele despertou em mim, nessa segunda leitura!


Howards End conta a estória de duas famílias – os Schlegel e os Wilcox, que se de associam de maneira quase acidental.


São famílias muito diferentes, a primeira – os Schlegel, que não são inteiramente britânicos, mas meio alemães - é constituída dos irmãos: Margaret (29 anos, no início da narrativa), Helen (21) e Tibby, que está ingressando na universidade  (16 anos). A segunda família, a dos Wilcox – que é muito britânica! -, é formada pelo casal Henry e Ruth,e os seus três filhos adultos: Charles, Paul e Evie.


As irmãs Schlegel e o casal Wilcox se conhecem numa viagem ao exterior. O casal as convida para uma estadia na casa deles, que vem a ser a tal mansão ‘Howards End’. Quem atende ao convite é Helen, a irmã nova. Helen é idealista, liberal, romântica e impetuosa, o que me evocou a personagem Marianne, do livro de Jane Austen, Razão e Sensibilidade. 

Em HowardsEnd Helen tem um brevíssimo romance com Paul, o filho do meio do casal Wilcox. O encontro dos dois parece ter resultado numa dessas paixões fulminantes, que é constituída mais de mal entendidos do que de qualquer outra coisa.


Ambas as famílias são ricas (os Wilcox mais do que os Schlegel), mas o que salta aos olhos, desde o início, é a grande diferença existente entre as pessoas das duas famílias. Os Wilcoxs (excetuando a matriarca, Ruth) são práticos, materialista (capitalistas), pouco ligados em cultura e, de certo modo, de trato rude. Os Schlegel são cultos, interessados em pessoas, mais afetuosos (e com uma tendência claramente socialista). 

Henry e Charles Wilcox são sexistas e convencionais, o que, aliás, eram características naturais dos homens daquela época, o período eduardiano inglês que se estendeu de 1901 a 1910. Charles Wilcox é um homem muito objetivo e um tanto agressivo.  Henry é mais tolerável, mas não fica muito atrás do filho.


É de fazer pensar o autoritarismo dos homens de então, sobre as mulheres. E também as restrições que a sociedade impunha a estas. Logo no início da estória fica claro, ao leitor, que os homens Wilcox não acreditam em igualdade entre os sexos. E acham ridículas as reivindicações de vanguarda, como a do voto feminino, feitas pelas sufragistas. 

A Sra. Wilcox, no entanto, é uma pessoa peculiar, do pouco que se fala dela a gente depreende que se trata de uma mulher de não muitas palavras, porém, generosa, gentil, intuitiva e possuidora de uma sabedoria quase mística. Devido a tudo  isso ela consegue ter uma relação muito feliz com todos os membros de sua família.


Howards End é a casa onde Ruth Wilcox nasceu, e com a qual ela tem uma relação muito especial, pois acredita que todas as casas têm uma índole, um tipo de espírito, sendo o de Howards End um espírito benevolente. O interessante é que nada disso é dito assim, claramente, mas a gente acaba por perceber qual era a visão da mulher sobre a casa.

Nessas duas famílias o escritor quis caracterizar dois dos principais grupamentos sociais de então, na Inglaterra: a aristocracia e a burguesia. Mas há uma terceira família, a dos Bast, que representa o estrato social pobre, de gente assalariada, que vive permanentemente preocupada com questões financeiras.


Leonardo Bast é um pobre funcionário de uma seguradora. Ele é casado com uma mulher mais velha, chamada Jacqui, que no passado teve vida desregrada.

Com o correr da estória a gente percebe o entrelaçamento das três famílias, e as questões sociais e morais decorrentes desse entrelaçamento.


É isso aí.... até já!

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